Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 15 de junho de 2026
Ap
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram neste sábado (27) que atingiram múltiplos alvos no Irã por ordem do presidente Donald Trump, em meio a uma sequência de ataques que voltou a abalar o frágil cessar-fogo na região.
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Em publicação na rede social X, o Exército afirmou que o Irã “teve a chance de respeitar o acordo de cessar-fogo”, mas “optou por não fazê-lo” após forças iranianas atacarem um navio próximo ao Estreito de Ormuz no início do dia. O Irã ainda não respondeu aos ataques.
O tratado, assinado há 10 dias, previa o “encerramento imediato e permanente das operações militares” e declarava que os países se comprometiam a “abster-se da ameaça ou do uso da força” um contra o outro.
Na noite de sábado, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo:
“É muito provável que eles nunca aprendam a lição. É possível que, um dia, já não possamos agir com prudência e sejamos obrigados a concluir, por meio da força militar, a missão que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir”, disse o presidente no TruthSocial.
Até a última atualização desta reportagem, o Irã não havia respondido.
Ataques no Golfo Pérsico
Mais cedo, o Irã lançou um ataque com drones contra o Bahrein, enquanto um navio também foi alvo de ataque no Estreito de Ormuz, em uma possível resposta de Teerã aos bombardeios aéreos realizados pelos Estados Unidos durante a madrugada.
Os ataques no Golfo Pérsico aumentam o risco de uma nova escalada fora de controle, mesmo após um acordo provisório entre Irã e Estados Unidos para tentar avançar em um entendimento final para encerrar o conflito.
Os EUA haviam realizado bombardeios durante a noite em resposta a um ataque iraniano com drones contra um navio cargueiro que tentava sair do estreito na quinta-feira, em uma sequência de ações que tem abalado o cessar-fogo.
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Bahrein condena ataque
O governo do Bahrein, que abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, afirmou que “vários drones iranianos” atingiram o país e classificou a ação como uma “ameaça flagrante à segurança de cidadãos e residentes”.
O Irã, por sua vez, disse por meio da agência estatal IRNA que sua Guarda Revolucionária teria atingido alvos ligados ao “exército terrorista dos EUA na região”, sem detalhar quais seriam.
O Comando Central dos EUA afirmou que os bombardeios da madrugada atingiram instalações de mísseis e drones iranianos, além de radares costeiros.
Estreito de Ormuz segue no centro da crise
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou em rede social que o Irã deveria “atender o telefone” caso haja discordâncias sobre o cessar-fogo, acrescentando que “a violência será respondida com violência”.
Estados Unidos e Irã negociam os termos do acordo, incluindo a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás — e o futuro do programa nuclear iraniano.
Sob o acordo provisório, os dois lados têm 60 dias para avançar nas negociações. O fim dos combates no Líbano entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã, também faz parte das discussões.
Petroleiro britânico atacado
O centro britânico de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou que um petroleiro foi atacado no estreito, mas a tripulação está segura e não houve danos ambientais. Ninguém reivindicou a ação, embora haja suspeita sobre o Irã.
Pouco depois, o Centro de Informações Marítimas, ligado à Marinha dos EUA, anunciou a ampliação de uma rota próxima à costa de Omã para permitir tráfego de entrada e saída
O Irã afirma que navios devem seguir suas regras e já ameaçou cobrar taxas pelo trânsito na região. Já Estados Unidos e países do Golfo rejeitam a exigência, defendendo que o estreito é uma via internacional.
O centro marítimo alertou ainda que a ameaça a embarcações é “substancial” e recomendou atenção ao risco de minas e à presença naval na região.
A Organização Marítima Internacional informou que suspendeu uma operação de evacuação de navios e só deve retomá-la quando houver garantias de segurança. Segundo o órgão, cerca de 115 embarcações conseguiram deixar o estreito nos últimos dias.


