Miguel Adorni, porta-voz do governo Milei. Foto de maio de 2026.
REUTERS/Tomas Cuesta
O porta-voz do governo da Argentina, Manuel Adorni, deixou a função neste sábado (27) por estar envolvido em um escândalo por suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio.
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O próprio Adorni publicou uma carta de demissão em suas redes sociais, confirmando sua saída. “Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra”, escreveu o agora ex-funcionário.
Adorni é uma das figuras mais próximas de Milei e recentemente admitiu ter ocultado 500 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens, em um caso que o colocou na mira da Justiça e da oposição.
Ele afirmou que se tratava de economias “não declaradas” provenientes de investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018. No entanto, isso contradisse declarações anteriores dadas por ele ao Congresso argentino: em abril, ele afirmou aos parlamentares que “nunca houve ocultação alguma” de seu patrimônio.
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O caso é investigado pela Justiça Federal argentina junto com denúncias sobre compra e reforma de imóveis por centenas de milhares de dólares, em um escândalo que ganha um novo capítulo a cada semana.
Adorni resistiu no cargo com apoio do presidente e apresentou explicações consideradas insuficientes. Milei tentou mantê-lo até o último momento e, na manhã de sexta-feira (26), durante visita à Espanha, o presidente argentino chegou a afirmar que só o demitiria caso a Justiça o considerasse culpado de corrupção.
Na carta, Adorni agradeceu à Milei: “Obrigado. Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023, estou a contrariar os seus desejos. Obrigado por finalmente aceitar a minha demissão desta vez.”
Adorni, de 46 anos, começou no governo como porta-voz presidencial em 2023 e passou à chefia de Gabinete em novembro passado.
Veja a carta na íntegra:
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Trecho da carta de Adorni.
Reprodução


