Todo-campista. Quando você quiser entender qual a posição que levou Gabriel Sara à Seleção, esta é a melhor definição. De meia-atacante no São Paulo a destaque até como primeiro volante no Galatasaray, o jovem de 26 anos faz da versatilidade um trunfo para convencer Carlo Ancelotti de que merece oportunidades nos amistosos contra França e Croácia, nos Estados Unidos.
O caminho improvável até a convocação indica um jogador mais preocupado em desenvolver as próprias capacidades do que com os holofotes que os grandes palcos do futebol europeu poderiam atrair. Do São Paulo ao modesto Norwich, do interior da Inglaterra até o futebol turco. Trajetória que transformou dentro e fora de campo o garoto que deixou o Brasil aos 22 anos.
“Acho que ganhei mais casca, mais maturidade. Era muito novo na época de São Paulo. Meu tempo na Inglaterra me ajudou muito a me desenvolver como jogador. Até a redescobrir uma posição”
– No São Paulo jogava mais à frente, baixei um pouco no Norwich, o que me ajudou bastante. No Galatasaray foi a sequência desse trabalho. Evoluí muito tecnicamente. Minha cabeça também teve mais maturidade.
Não é exagero dizer que do meio de campo para frente Gabriel Sara só não jogou de centroavante. Extremo pelos dois lados, meia de criação, volante de saída para o jogo e até de maior pegada na cabeça da área. Elementos que o colocam vivo na disputa por uma das vagas na Copa do Mundo.
“Eu procuro, sempre que me colocam numa posição nova, aprender ao máximo com essa nova posição. Hoje em dia o jogador tem que fazer mais de uma. Para mim, o mais importante é sempre jogar, independentemente de qual posição vou estar fazendo”
– Na Champions mesmo joguei em várias posições, quando estava no Brasil também. Então eu consigo me adaptar a qualquer posição, geralmente.
O desenvolvimento na Europa tem muito de mentalidade alimentada ainda nos tempos de Morumbi. Assim como Rayan, seu companheiro de entrevista coletiva nesta terça-feira, Gabriel Sara se define como um dos “filhos” de Fernando Diniz e não poupa elogios ao ex-treinador:
– Como sempre falo, o Diniz é um pai que tive. Foi extremamente importante no início da minha carreira. Ele foi a pessoa que teve paciência e me ajudou a amadurecer em um momento que, costumo dizer, ele acreditou mais em mim do que eu mesmo acreditava naquele momento. Carrego no coração. Ele até me mandou mensagem quando fui convocado. Acho uma pessoa muito necessária no Brasil hoje. Muitas vezes não damos tempo aos jovens para amadurecerem e entregarem aquilo que podem.
“Acho ele uma pessoa extremamente importante para ajudar no desenvolvimento de jovens, de pessoas que precisam. Às vezes precisamos olhar para o futebol de um jeito mais humano, não só os jogadores como máquinas, mas como pessoas que têm problemas, dias bons e dias ruins também”
Em quatro temporadas, Sara soma 179 partidas por Norwich e Galatasaray, com 29 gols e 29 assistências. Números que indicam a regularidade que o credencia para defender o Brasil diante da França, na próxima quinta-feira, às 17h (de Brasília), em Boston, e a Croácia, no próximo dia 31, às 21h (de Brasília), em Orlando.
Confira outros trechos da entrevista
Como se mostrar para Ancelotti em tão pouco tempo?
Sendo eu mesmo. Como pessoa, a gente não muda muito. Sou uma pessoa muito tranquila, muito sossegada. Espero que as pessoas possam ver isso. É tentar aproveitar ao máximo no campo para mostrar futebol. A gente sabe que não é fácil, mas a gente tem oportunidades diárias e espero aproveitar isso ao máximo.
O que tinha mais curiosidade nessa estreia pela seleção?
Para mim é um pouco mais complicado, porque tirando o Brasil joguei em ligas mais alternativas, não enfrentei muitos dos jogadores que estão aqui, não tive muita vivência com eles. É uma boa oportunidade de conhecê-los, estar mais próximo. Sempre fui muito curioso para saber qual seria o ambiente da seleção. Pelo que vi até agora, é incrível. O pessoal acolhe muito bem. Ainda teremos o trote que vai ser meio complicado (risos). Mas o pessoal parece muito bacana, muito aberto. Tanto no treino, quanto no jantar e tudo mais. O pessoal é muito do bem. Deu para ver que o ambiente é ótimo mesmo.
Amadurecimento
A idade foi mudando, fui amadurecendo mais com a idade. No Norwich tinha um time que era muito família, a cidade era muito sossegada. Hoje tenho uma filha, muitas coisas me levaram a amadurecer e mudar a mentalidade. Hoje já não penso como pensava seis ou sete anos atrás. Acho que esse aglomerado de coisas me tornou o homem que sou hoje, mas como disse, ainda tenho muito a evoluir para não passar mais do ponto e melhorar bastante.
Surpresa com a convocação?
Foi grande surpresa, três meses atrás não imaginaria. Pegou lado emocional meu, de olhar o tanto que trabalhou. Ao mesmo tempo motivado, é difícil chegar aqui e se manter. Que seja início de um trabalho. Jogar o melhor futebol que puder. Seleção é momento, os melhores vão. Estou em um momento muito bom, manter isso o máximo possível. São grandes jogadores, não é fácil.
Surpresa com a convocação?
Foi grande surpresa, três meses atrás não imaginaria. Pegou lado emocional meu, de olhar o tanto que trabalhou. Ao mesmo tempo motivado, é difícil chegar aqui e se manter. Que seja início de um trabalho. Jogar o melhor futebol que puder. Seleção é momento, os melhores vão. Estou em um momento muito bom, manter isso o máximo possível. São grandes jogadores, não é fácil.
Volta ao São Paulo
São Paulo está no meu coração, sempre vai estar. Última coisa que quero é voltar mal fisicamente, velho. Quero voltar para contribuir para o time. Tenho muito a evoluir. Quero voltar na minha melhor versão e ganhar títulos.

