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Messi se nega a perder e comanda virada espetácular sobre o bom Egito

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Você já agradeceu por ser contemporâneo de Lionel Messi? Rivalidades à parte, a tarde desta terça-feira, em Atlanta, ficará marcada como mais uma daquelas em que se mede o tamanho deste jogador na história do futebol. Sua seleção atuava mal e perdia até a reta final do jogo. Ele então deu um basta! Comandou uma virada comovente, daquelas que ficam para sempre guardadas na memória.
A forma como o resultado foi alcançado valoriza a partida que o Egito fez. Corajosa, inteligente taticamente. Mas exalta ainda mais o espírito de luta da seleção argentina. Quando não dá na organização coletiva, há o segundo maior jogador da história do futebol para desequilibrar e mobilizar um time com mentalidade extremamente vencedora.
Escalações
Lionel Scaloni encorpou mais o meio com Paredes. Almada foi para o banco, assim como Lautaro Martinez, que perdeu espaço para Julián Álvarez no ataque. Medina sentiu contra Cabo Verde e Tagliafico entrou na lateral-esquerda.
Hossam Hassan contou com o retorno de Lasheen, que voltou a fazer dupla de volantes com Marwan Attia. Ramy Rabia, que foi muito bem contra a Austrália, permaneceu na zaga. Hamdy Fathy ficou no banco. Marmoush foi barrado. Hassan entrou na ponta-direita, o que empurrou Eman Shour para a meia-esquerda. Karim Hafez seguiu na lateral-esquerda, já que o titular Fatouh está lesionado.
Como Argentina e Egito iniciaram o duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Como já se poderia prever, o Egito não ficou entrincheirado na defesa, aguardando a iniciativa argentina. Seguindo o seu estilo, esbanjou agressividade em uma abordagem de marcação a partir da intermediária ofensiva. Lasheen e Attia se projetavam para causar desconforto em Paredes ou em qualquer outro meio-campista que recuasse para receber a bola, seja Enzo, Mac Allister ou De Paul.
Isso inibiu inicialmente a troca de passes fluida que os sul-americanos costumam ter e permitiu que os Faraós também ficassem com a bola. Em fase ofensiva, os egípcios trabalhavam com Hassan bem aberto pela direita e Karim Hafez mais solto pela esquerda, fruto das flutuações do meia Eman Ashour para dentro. Os volantes distribuíam os passes com velocidade e o time se aproximava da área.
Conseguiu dois escanteios antes dos 15 minutos e tentou fazer a mesma jogada em ambos. Batida com um passe curto para Eman Ashour atrair uma dobra de marcação e rolar para Marwan Attia cruzar na segunda trave. Na segunda vez que executou isso, Yasser Ibrahim venceu o duelo aéreo com Lisandro Martinez e abriu o placar em bela cabeçada.
Yasser Ibrahim comemora gol pelo Egito contra a Argentina
REUTERS/Paul Childs
Automaticamente a Argentina aumentou seu tempo de posse de bola e começou a rondar a área com frequência. Começou a gerar o seguinte desequilibrio no sistema defensivo africano. Mac Allister se projetava como o meia mais avançado por dentro, tinha Enzo Fernádez e De Paul como meias à frente do mais recuado Paredes. Basicamente um losango de meio por trás da dupla Messi-Julián Álvarez.
Os laterais avançavam bem abertos e eram seguidos por Hassan e Eman Ashour. O 3×2 por dentro, gerado por Mac Allister, De Paul e Enzo contra Lasheen e Marwan Attia, obrigava que um dos integrantes da última linha de defesa egípcia ”saltasse” para pressionar, abrindo lacunas que foram aproveitadas com passes em profundidade, principalmente para Taglifico em projeção.
Hassan cochilou duas vezes no acompanhamento ao lateral-esquerdo albiceleste. Em uma delas surgiu o pênalti desperdiçado por Messi. Shobeir pegou. E depois uma jogada que só não terminou em gol de Julián Álvarez em função de mais uma excelente defesa do goleiro egípcio.
Shobeir, aliás, saiu como principal nome da 1ª etapa. Defendeu ainda uma cabeçada de Mac Allister, que não aproveitou o ótimo cruzamento de De Paul. O Egito tinha agressividade para combater e coragem para tentar reter a bola e atacar também, mas precisava buscar o melhor encaixe de marcação. E olha que Messi esteve bastante discreto antes do intervalo.
Lionel Messi bate pênalti, e Mostafa Shoubir defende em Argentina x Egito
Reuters/Brett Davis
Eman Ashour saiu lesionado no intervalo. Hamdy Fathy entrou. Isso fez com que a formatação do Egito mudasse. Hamdy Fathy compôs uma trinca de volantes com Lasheen e Marwan Attia. Zico virou o ponta-esquerda e Salah ficou isolado no ataque. A frente da área ficou mais preenchida e o problema de inferioridade no setor em alguns momentos acabou minimizada.
Soma-se a isso os recuos feitos por Hassan e Zico, basicamente formando uma linha de seis atrás para vigiar a profundidade e a amplitude dos laterais argentinos. Com as opções mais bem bloqueadas, os atuais campeões do mundo tiveram sua criação travada e cederam um contragolpe que poderia mudar totalmente a história do jogo.
Hassan fez uma jogada impressionante pela direita. ‘Enfileirou argentinos antes de dar para Salah servir Zico, que marcou ao bater na saída de Emiliano Martinez. O gol, no entanto, foi anulado por falta em cima de Lisandro Martinez no início da jogada. Um contato muito mais leve do que outros que não foram marcados falta nesta Copa do Mundo.
Mostafa Zico comemora gol pelo Egito, mas arbitragem anula lance por impedimento
REUTERS/Paul Childs
Lionel Scaloni fez suas primeiras trocas aos 20 minutos. Sacou Tagliafico e De Paul. Pôs Nico González e Lautaro Martinez. Não deu nem tempo de entender qual seria a proposta, o Egito encaixou um novo contragolpe com Hassan e Salah, e Zico recebeu o cruzamento do camisa 12 para ampliar o placar.
As fisionomias atônitas tomaram conta dos argentinos em campo e nas arquibancadas por alguns minutos. Messi começou a vencer o nítido desgaste e desequilibrar o sistema defensivo adversário com ações individuais. E a partir daí o time argentino se reanimou. Já sem os exaustos Hassan e Zico em campo, o Egito passou a ter Trezeguet e Marmoush auxiliando os laterais pelos flancos.
Montiel no lugar de Molina foi a terceira troca de Scaloni. Mas o principal era ter Messi disposto a impedir a heróica classificação africana. Ele realizou o cruzamento que resultou na cabeçada de Cristian Romero para diminuir o placar aos 33′. E cinco minutos fez quase tudo sozinho na jogada do gol de empate. Cruzou de novo para a área e correu para aproveitar um rebote e vencer Shobeir.
A reta final do jogo foi extremamente aberta. Marmoush desperdiçou grande oportunidade em contra-ataque. A Argentina foi mais decisiva! Julián Álvarez desarmou Salah dentro da área defensiva e lançou Lautaro Martinez em contragolpe. Ele cruzou na área e Enzo Fernández marcou de cabeça. Três gols num intervalo de 15 minutos para uma das viradas mais épicas de todas as Copas.

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