O resultado pode ter sido magro, vitória singela por 1×0, mas a diferença do que marroquinos e escoceses mostraram na noite desta sexta-feira foi grande. Os africanos abriram o placar no primeiro minuto e ainda na etapa inicial poderiam ter construído um resultado mais elástico. A mesma dominação vista nos primeiros 30 minutos contra o Brasil ocorreu, e se estendeu por mais tempo.
O pecado foi não transformar isso em mais gols. Um pouco de capricho na definição teria encaminhado uma reta final de partida muito mais tranquila. Na base da vontade e da presença de área de McTominay e Dykes, os europeus chegaram a pressionar depois dos 35 minutos. No entanto passaram longe de merecer o empate.
Escalações
Steve Clarke mudou o esquema escocês e sacou do time o melhor em campo na estreia, o atacante Gannon-Doak. Tierney entrou para marcar Hakimi, atuando a frente de Robertson. Christie compôs o meio. Shankland foi outro a sair. Che Adams foi o único atacante. Patterson entrou na lateral-direita e Hickey foi sacado. Já Mohamed Ouahbi repetiu a equipe que fez bom jogo contra o Brasil.
Como Escócia e Marrocos iniciaram o duelo válido pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Um minuto! Se a proposta escocesa era se fechar para dificultar a criação marroquina e acionar Che Adams em contragolpes, esse foi o tempo que ela demorou para perder o sentido. Hakimi teve liberdade para receber pela direita e enfiou um passe perfeito para Saibari atacar as costas dos zagueiros e marcar em uma linda finalização.
Mesmo com pouco espaço para tal ação, a técnica e o timing de Hakimi e Saibari foi perfeita! Tierney e Robertson não conseguiram entender devidamente os movimentos do melhor lateral-direito do mundo e do inteligente Brahim Diaz. Eles trocavam de tarefas muitas vezes. Hakimi vinha em diagonal por dentro. Brahim aguardava quase em cima da linha lateral. Tudo com bastante intensidade.
Por vezes os dois flutuavam e alguém ocupava o setor destro. Saibari, El Aynaoui… A leveza demonstrada no 1º tempo contra o Brasil apareceu novamente. Muita mobilidade para trocar de posições, passes, mas sem perder a perfeita ocupação de espaços para a bola circular. Os próprios Hakimi e Saibari chegaram perto de ampliar antes dos 20 minutos.
Marrocos x escocia Ismael Saibari
REUTERS
A Escócia mostrava-se muito desconfortável ao tentar construir desde a defesa. Era travada para fazer os movimentos que gerassem as linhas de passe naturalmente. Chegou a perder bolas na intermediária defensiva ao ser pressionada pelos ótimos volantes marroquinos. El Khannouss perdeu grande chance ao receber de Saibari dentro da área.
Outro que arrematou de muito perto do gol foi El Aynaoui. Ele se beneficiou de ótima jogada de Brahim Diaz pela direita. O camisa 10 enlouquecia os marcadores. O time africano parece ter sentido um pouco do ritmo que imprimiu inicialmente no jogo. Teve menos objetividade e permitiu avanços aos escoceses depois dos 40 minutos. Não sofreram, contudo, nenhuma finalização de real perigo.
McGinn lutava bastante contra Mazraoui e ganhou alguns duelos. McTominay começou a aparecer nas imediações da área, e Robertson acessou, enfim, a linha de fundo pela primeira vez. A Escócia tentou trazer para o 2º tempo o cenário da reta final do 1º. Trocou passes sem penetração no campo de ataque e buscou adiantar a marcação. Viu que do outro lado havia um time preparado para isso.
Marrocos superou a pressão com passes de pé em pé e talento de Bouaddi, Hakimi e Mazraoui. A bola circulou da direita para a esquerda rapidamente e El Khannouss foi à linha de fundo e cruzou para Saibari bater prensado no travessão. Na sequência, El Khannouss quase marcou de cabeça no escanteio muito bem cobrado por Hakimi. O placar já estava barato para a Escócia.
Christie, meia-atacante da Escócia, em ação contra o Marrocos
ANP via Getty Images
Gannon-Doak entrou pela direita do ataque antes dos 15 minutos. Tierney saiu. McGinn passou para a meia-esquerda. Logo depois da parada para hidratação, Che Adams e Christie deram lugar a Dykes e McLean. McTominay gerou algum incômodo ao se aproximar da área, esbanjou vontade e agressividade. Gannon-Doak ofereceu trabalho a Mazraoui, que reagiu muito bem.
Hendry e Ferguson foram peças importantes para impedir que Marrocos conseguisse concluir alguns ataques. Robertson foi outro a subir de produção e aparecer mais no ataque. Não havia, no entanto, regularidade nas ações ofensivas. A dupla de zaga marroquina foi muito bem protegendo a área. Chadi Riad bloqueou uma finalização muito promissora de McTominay.
Os africanos só foram fazer substituições depois dos 35 minutos. Período em que a Escócia enfim conseguiu estabelecer uma ronda nas imediações da área. McTominay manteve-se como homem mais perigoso dos europeus. Marrocos encaixou dois contragolpes e a dificuldade de ampliar o placar impediu que o placar fosse maior.


