EUA bombardeiam alvos no Estreito de Ormuz após Trump acusar Irã de violar cessar-fogo
O Irã afirmou nesta sexta-feira (26) que atacou alvos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio após uma ação norte-americana na região do Estreito de Ormuz.
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A ação foi feita horas depois de os EUA bombardearem alvos iranianos. Os norte-americanos alegam que Teerã violou o acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países.
Este foi o primeiro confronto direto entre EUA e Irã desde que os dois países assinaram, no último dia 17, um acordo de paz inicial para encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro.
O texto prevê a reabertura de Ormuz e estabelece um prazo de 60 dias para negociações sobre outros temas, incluindo o programa nuclear iraniano.
Mais cedo, o presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de não demonstrar “qualquer compromisso com os princípios da negociação ou do cessar-fogo”.
Segundo ele, a “violação imprudente do cessar-fogo” pelos EUA fará com que Washington “recue e se arrependa”.
Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre danos a estruturas militares dos EUA no Oriente Médio. A Casa Branca também não comentou as afirmações do governo iraniano.
Guarda Revolucionária do Irã prometeu novas ações caso os Estados Unidos voltem a atacar o país.
Ataque dos EUA
Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 15 de junho de 2026
REUTERS/Stringer
Na sexta-feira, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) afirmou que aeronaves americanas atacaram depósitos de mísseis e drones iranianos, além de equipamentos de radar no litoral sul do Irã.
“A agressão injustificada de forças iranianas contra navios comerciais violou claramente o cessar-fogo. Além disso, a conduta perigosa do Irã comprometeu a liberdade de navegação, em um momento em que o fluxo comercial através desse corredor vital de comércio internacional é crescente”, disse em comunicado.
Ainda segundo o comando, as forças americanas continuam atuando para garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo estreito e para assegurar o cumprimento do acordo firmado entre Washington e Teerã.
A ofensiva ocorreu após Trump acusar o Irã de atacar navios que atravessavam o Estreito de Ormuz.
Segundo Trump, o regime iraniano lançou ao menos quatro drones contra embarcações comerciais. Um deles atingiu um navio de carga, enquanto os outros três foram derrubados pelas forças americanas.
“Se eu vou responder? Você vai ficar sabendo em breve”, disse Trump, na Casa Branca, pouco antes dos ataques.
AGuarda Revolucionária do Irã disse que as forças repeliram um ataque americano contra a ilha de Sirik, localizada às margens do Estreito de Ormuz. O regime não informou se houve danos ou vítimas.
Operação da ONU suspensa
Na quinta-feira (25), a Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU, suspendeu uma operação destinada a retirar centenas de navios do Estreito de Ormuz após uma embarcação ser atacada no Golfo de Omã.
A companhia britânica de segurança marítima UKMTO informou que um porta-contêineres foi atingido por um projétil ao tentar atravessar o estreito, próximo ao porto de Dahit, em Omã.
“Fui informado hoje de um ataque contra uma embarcação que havia atravessado o Estreito de Ormuz. Esse navio não constava sob o quadro de evacuação da agência”, afirmou Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), em comunicado.
Ele acrescentou que a decisão de suspender a iniciativa foi tomada para “reconfirmar se as garantias de segurança necessárias continuam em vigor”.
A iniciativa havia começado na terça-feira (23) e permitia que embarcações deixassem a região por rotas supervisionadas pelos Estados Unidos. Dados preliminares da agência indicavam que 57 navios, com cerca de 1.100 tripulantes, haviam atravessado o estreito durante a operação.
As autoridades ainda não confirmaram a autoria dos ataques nem a gravidade dos danos.
Ainda na quinta, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada pelo Irã para administrar a região, afirmou que embarcações que utilizarem rotas não autorizadas não terão garantia de passagem segura.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Reuters/Evan Vucci


