O Irã afirmou neste sábado (2) que cabe aos Estados Unidos decidir entre retomar o confronto ou avançar pela via diplomática. Ao mesmo tempo, o país disse estar preparado para qualquer um dos cenários.
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Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, o Irã já apresentou uma proposta ao mediador paquistanês com o objetivo de encerrar de forma permanente a guerra. Agora, afirmou, a decisão está nas mãos dos EUA.
“A bola está no campo dos EUA, que deve optar entre a via diplomática ou a continuação da abordagem confrontativa”, disse. Ele acrescentou que o país está “preparado para as duas opções”, com foco na proteção de seus interesses e da segurança nacional.
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Mais cedo, o tom foi reforçado por uma autoridade militar. Mohammad Jafar Asadi, vice-inspetor do comando das forças armadas Khatam al-Anbiya, afirmou que considera “provável” uma retomada do conflito e criticou a postura americana.
“Uma retomada do conflito entre o Irã e os EUA é provável, e os fatos demonstraram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa ou acordo”, declarou.
As declarações ocorrem após o presidente Donald Trump afirmar que não está “satisfeito” com a nova proposta apresentada por Teerã para retomar as negociações de paz.
Trump rejeita proposta do Irã
Trump recebe astronautas da Artemis II no Salão Oval da Casa Branca
Reuters/Evelyn Hockstein
A proposta apresentada pelo Irã e rejeitada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, previa reabrir o tráfego comercial no Estreito de Ormuz e encerrar o bloqueio naval à região.
Segundo informou uma alta autoridade iraniana neste sábado, o plano sugeria o fim das hostilidades imediatas, deixando as discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.
Em resumo, o plano estabelecia que:
a guerra terminaria com garantias de que Israel e EUA não atacariam o país novamente;
o Irã abriria o Estreito de Ormuz imediatamente;
os EUA encerrariam o bloqueio aos portos iranianos;
as discussões sobre restrições ao programa nuclear seriam realizadas em uma fase posterior, em troca do fim das sanções econômicas.
O impasse diplomático ocorre quatro semanas após os EUA e Israel suspenderem uma campanha de bombardeios contra o Irã. Até o momento, não houve acordo para encerrar o conflito que já provocou a maior interrupção na história do fornecimento global de energia.
Há mais de dois meses, o Irã bloqueia quase todo o transporte marítimo no Golfo Pérsico, permitindo apenas a circulação de suas próprias embarcações.
Em represália, no mês passado, o governo americano impôs seu próprio bloqueio a navios que partem de portos iranianos.
Condição americana
Washington mantém a postura de que não encerrará a guerra sem um acordo que garanta que o Irã nunca obterá uma arma nuclear — o principal motivo alegado por Trump ao lançar os ataques em fevereiro.
O Irã, por sua vez, reitera que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Sob condição de anonimato, uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que o governo acredita que a proposta de “fatiar” o acordo — separando a crise marítima da questão nuclear — seria um passo significativo para facilitar o entendimento.
“Neste modelo, as negociações sobre a questão nuclear, que é mais complexa, seriam movidas para a etapa final para criar uma atmosfera mais favorável”, explicou o oficial.
O novo cronograma teria sido enviado formalmente aos Estados Unidos através de mediadores internacionais.
*Com informações das agências de notícias France Presse e Reuters
Veículos passam por um outdoor com uma imagem do Estreito de Ormuz e com os lábios costurados do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma praça no centro de Teerã, Irã, sábado, 2 de maio de 2026.
AP Photo/Vahid Salemi


