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Ídolo no Catar, orgulho de Itabaiana: Edmílson Júnior realiza o sonho da família na Copa do Mundo

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Edmílson Júnior agradece à família pelo apoio antes da Copa: “Sonho nosso”
Depender da imigração está no DNA do Catar, um país com cerca de 90% da população formada por estrangeiros. Não seria diferente na seleção: metade dos convocados para a Copa de 2026 vem de fora do país. Entre eles, Edmílson Júnior, um típico representante do futebol globalizado: nascido na Bélgica, catari por adoção e com o coração no Brasil. Mais especificamente em Itabaiana, cidade da Paraíba que ajudou a formar o talento do meia-atacante do Al-Duhail e um dos destaques da seleção do Oriente Médio.
A 10 mil quilômetros de Doha, Itabaiana vai ser um “consulado” do Catar no Brasil durante a Copa. A promessa é de outro Edmílson, o pai. Ex-jogador revelado pelo Sport e com a carreira construída na Bélgica, o agora “pai do Júnior” comprou até uma TV nova para a família e os amigos assistirem à realização do sonho de todos.
– Júnior vinha sempre de férias para Itabaiana, batia bola aqui, a galera toda conhece ele desde pequeno. Quando souberam que ele ia para a seleção do Catar, ficou todo mundo louco. Eu disse pra ele: você está realizando o sonho que eu tive, vai jogar uma Copa do Mundo. Parece que eu estou mais feliz do que se fosse eu na Copa – contou Edmílson em um bate papo com o ge, diretamente de Itabaiana.
Edmílson Júnior em ação pela seleção do Catar
REUTERS/Ibraheem Al Omari
Anfitrião em 2022, o Catar vai disputar pela segunda vez a Copa do Mundo, dessa vez com vaga alcançada em campo, como uma das nove seleções classificadas da Ásia. A estreia será neste sábado, às 16h (horário de Brasília), contra a Suíça, em Santa Clara. Os outros dois jogos pelo Grupo B serão contra o Canadá, dia 18, em Vancouver, e contra a Bósnia, dia 24, em Seattle.
O desejo inicial de Edmílson Júnior era ver o filho de perto no Mundial, mas faltou combinar com os americanos. Ele não obteve o visto para viajar para os Estados Unidos. Decepcionado? Que nada! Mesmo de longe, não vai faltar torcida pelo filho. E muita festa na casa da família, claro.
– Eu vou botar bandeira, camisa, comprei um telão para a galera da rua ver, convidei todo mundo. Tem hora que eu penso: meu filho vai para a Copa. Meus amigos falam: “você tem noção?”. É um orgulho não só para mim, mas para todo mundo que é amigo dele. É como se ele estivesse representando a nossa cidadezinha aqui – comentou.
Veja a tabela completa da Copa do Mundo
Edmílson com a camisa do Catar ao lado do filho Edmílson Júnior
Arquivo pessoal
De Santa Clara, na Califórnia, onde fica a base de treinos da seleção do Catar, Edmílson Júnior mantém contato permanente com a família e está por dentro da preparação especial que está sendo feita para acompanhar seu desempenho na Copa. Um combustível extra para ajudá-lo em campo:
– Itabaiana é a cidade onde meu pai e meu tio cresceram antes de irem para a Europa. Sempre que eu vou para o Brasil eu vou lá, porque eu tenho meus amigos e minha família. É só alegria, churrasco, pagode, pelada com os amigos. E muito amor entre a gente. E eu também sei que a torcida lá é muito grande. Então, ver tudo isso me dá mais força para dar essa felicidade para eles de longe – disse o jogador ao ge, por mensagem.
O jogador de 31 anos afirmou que o Catar conquistou seu coração, mas ressaltou que o sangue que corre nas veias nunca vai mudar.
– O Catar é um país que me deu tudo, um país maravilhoso, quero ficar para sempre. Mas o sangue é brasileiro, ninguém vai tirar isso de mim – afirmou o camisa 8 do Catar, de 31 anos.
Pai de Edmílson jogou no Sport de 87
A história de Edmílson Júnior começa pelos pés do pai, que começou a carreira no Sport, em um ano marcante para o clube pernambucano: ele fez parte da campanha histórica de 1987 no Módulo Amarelo da Copa União, reconhecido oficialmente como título brasileiro. De lá, foi para a Bélgica, onde ficou por quase uma década, com destaque para os quatro anos no Standard Liége.
Foi lá também que Edmílson Júnior deu os primeiros passos no futebol. E onde viveu também uma história de superação.
– Quando ele estava subindo para o profissional, o Standard não quis ficar com ele. Encontramos um clube na segunda divisão, o Sint-Truiden. Lá ele foi campeão da segunda divisão, e em quatro meses jogando a primeira divisão, já tinham quatro clubes querendo ele. Um deles era o Standard Liége. Ele me disse: “Pai, eu vou voltar por sua causa, porque é o seu clube”. Saiu pela porta dos fundos e voltou pela porta da frente.
A tecnologia permite que Edmílson acompanhe a carreira do filho de longe, mas nas conversas por telefone ou chamada de vídeo o que vale é a conexão emocional que supera qualquer distância.
– Pela voz eu sei quando ele está bem ou mal. Tem uma palavra que ele usa, daron, que é um jeito de chamar pai que ele aprendeu com os amigos (Nota da Redação: trata-se de uma gíria muito usada entre jovens na França). Quando ele fala “Tá tudo bem, daron”, aí eu sei que ele está feliz – observou Edmílson
Edmílson pai e Edmílson Júnior foram jogadores do Standard Liége
Reprodução/Instagram
O pai, que foi um ponta-esquerda driblador, enxerga em Edmílson Júnior características suas. O filho é destro, mas por conta das diferenças táticas dos tempos atuais, também joga pela esquerda.
– Júnior é o tipo de jogador que eu era, provocador, que gosta de ter a bola, de jogar para a frente. É aquele ponta chato, que trabalha pela equipe. A maior força dele é a inteligência, ele enxerga o jogo. Pode jogar de 10, de 8, de 7, em qualquer posição do ataque – observou Edmílson pai.
Chamado para a seleção após mais de um ano parado
Duas vezes campeão da Copa da Bélgica com Standard Liége (2015/16 e 2017/18), Edmílson Júnior fez a transferência que, anos depois, o tornaria um jogador de Copa do Mundo. Desde 2018 no Al-Duhail, o catari-belga-brasileiro foi campeão do Campeonato do Catar 2018/20, ganhou duas Copas do Emir (2019 e 2022) e, principalmente, conquistou a admiração do pequeno país do Oriente Médio.
Mesmo depois de ficar mais de um ano parado por uma grave contusão no tornozelo, ele teve uma prova de prestígio no Catar: foi chamado em 2024 para defender a seleção do país que adotou.
– Foi uma escolha muito fácil, falei para eles que ia ser um sonho defender esse país que amo tanto. Quando esse dia chegou, eu e minha família ficamos muito felizes. Trabalhei muito para chegar esse momento. As pessoas esquecem que eu fiquei quase dois anos parado. Foi muito difícil, mas Deus sabe de tudo e Ele me deu outra oportunidade de voltar a jogar. Agora vou poder defender meu pais na Copa do Mundo – disse ele ao ge.
Na seleção dos imigrantes, só 13 jogadores nasceram no Catar. A outra metade conta com atletas de nove países: Sudão, Somália, Egito, Senegal, Gana, Portugal, França, Bélgica, onde nasceu Edmílson Júnior, e Brasil, país natal do experiente zagueiro Lucas Mendes, de 35 anos, revelado pelo Coritiba. Na liga nacional, Lucas joga pelo Al-Wakrah, rival do Al-Duhail de Edmílson Júnior. Na Copa, eles vão unir forças pelo país que adotaram.
– O Lucas é um craque como zagueiro e também como pessoa. O talento e a experiência dele vão ajudar muito o time, nesse momento tão importante na nossa carreira – observou.
“Inspirador”, diz zagueiro Tuta, colega de time
Tuta, zagueiro do Al Duhail, manda apoio a Edmílson Júnior, da seleção ​​do Catar
Colega de Edmílson Júnior no Al-Duhail, o zagueiro Tuta foi contratado ano passado pelo clube, depois de cinco anos no Eintracht Frankfurt. E encontrou no meia-atacante um apoio de primeira hora para se adaptar ao país.
– Foi a primeira pessoa para quem eu mandei mensagem quando comecei a negociar com o Al-Duhail. Ali já deu par ver que ele é parceiro mesmo. Ele me deixou muito tranquilo e foi fundamental para a minha mudança – relembrou Tuta em entrevista ao ge.
De São Paulo, onde passa férias, o zagueiro vê na história do companheiro de time um exemplo de como o futebol pode
– É inspirador, às vezes no futebol a gente toma decisões, olha para um outro lado, um lugar um pouco mais afastado, de repente algo ainda mantém aquela chama no coração, você vê que tudo é possível – comentou.
Se tudo é possível, por que não sonhar, então, com algo mais do que apenas jogar a Copa do Mundo? De Itabaiana, o pai orgulhoso de Edmílson Júnior vê chances reais de classificação do Catar para a segunda fase, com possibilidade de avançar até em terceiro lugar em um grupo com três rivais sem muito prestígio internacional: Suíça, Canadá e Bósnia.
– Eu disse a ele: “Vocês caíram em um grupo em que é possível passar, vocês têm chance. O jogo da classificação, para mim, é o primeiro, contra a Suíça. Se ganhar, depois é tentar arrumar um empate nos outros jogos e avançar. E ele sabe disso, que tem possibilidade, sim, de passar.

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