Mubadala Brazil apresenta treino com simuladores para o SailGP
Pela primeira vez na história, o SailGP vai desembarcar no Rio de Janeiro. Na Baía de Guanabara, 12 equipes se preparam para disputar a quarta etapa do ano a bordo de catamarãs de 50 pés, capazes de ultrapassar 100 km/h. As embarcações carregam as bandeiras de seus países, e o Brasil será liderado por Martine Grael, bicampeã olímpica e a primeira — e única — mulher a comandar um barco na “Fórmula 1 da vela”. Os melhores velejadores do mundo vão brigar pelo título aos pés do Pão de Açúcar, um dos principais cartões-postais da cidade, neste fim de semana.
O sportv transmitirá todas as provas de sábado (11) e domingo (12), enquanto a ge tv mostrará as disputas do segundo dia de competição.
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– Não consigo descrever o quão especial é. Especialmente para um velejador que não passa muito tempo em casa. Voltar para a casa para um evento é muito especial. Velejar e competir na Baía de Guanabara é maravilhoso. Você pode simplesmente parar o que está fazendo, olhar em volta e se sentir inspirado pelo lugar – disse Martine Grael.
Equipe do barco brasileiro se prepara para etapa do SailGP no Rio de Janeiro
AT Films
Depois de 10 anos da conquista do ouro nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, Martine Grael volta à Baía de Guanabara. Desta vez, não para a vela olímpica – modalidade em que foi bicampeã ao lado de Kahena Kunze. A brasileira vai liderar o Mubadala Brazil SailGP Team, que terá 10 velejadores, sendo cinco brasileiros. Após três etapas disputadas em 2026, o time ocupa a 11ª posição na tabela, com cinco pontos. O líder é o Emirates GBR SailGP Team, que já soma 28 pontos.
Doze equipes vão disputar a etapa carioca do SailGP. Normalmente, o circuito conta com 13 times, mas a Nova Zelândia vai se ausentar da parada sul-americana após um acidente na segunda etapa da temporada, em uma colisão com a França. O barco neozelandês não ficou pronto a tempo para competir no Rio de Janeiro. Ao todo, a competição reúne 27 medalhistas olímpicos, que somam 40 medalhas nas Olimpíadas.
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Na primeira parada da “Fórmula 1 da vela” na América do Sul, o público vai poder acompanhar de perto os melhores velejadores do mundo comandando os catamarãs F50, embarcações de última geração que “voam” sobre a água. Uma arquibancada na Praia do Flamengo foi montada para receber os torcedores durante as disputas.
Equipe brasileira vence regata em etapa da Sail GP na Espanha
A “Fórmula 1 da Vela”
O Sail GP foi apelidado dessa forma por reunir velocidade extrema e tecnologia de ponta. Os barcos F50 usam hidrofólios para “voar” sobre a água, reduzindo o atrito e ultrapassando os 100 km/h, o que coloca a competição em um nível de intensidade parecido com o da Fórmula 1.
Além disso, o formato do campeonato também se aproxima do automobilismo, com etapas em várias cidades do mundo, equipes nacionais e uma disputa por pontos ao longo da temporada até a grande final. Tudo isso faz do SailGP a versão mais moderna e rápida da vela.
Com Martine Grael como líder no time Brasil, Sail GP chega ao Rio de Janeiro com etapa inédita neste fim de semana
Ronald Martinez / Getty Images
Treinamento em simuladores
Como os barcos chegam a altas velocidades, qualquer erro custa caro. Não só pelo preço para consertar as embarcações super tecnológicas, mas também pela saúde física dos atletas. Acidentes não são eventos isolados nas etapas, e as equipes não podem se arriscar a todo momento. Os times tiveram que encontrar maneiras menos arriscadas para testar as condições do mar e buscar o maior entrosamento dos competidores.
Foi aí que entraram os simuladores. Os atletas treinam nesses “videogames” super realistas, parecidos com os usados por pilotos da Fórmula 1. Os simuladores replicam vento, correnteza e comportamento do barco, permitindo testar estratégias e melhorar o desempenho sem riscos.
Equipes treinam em simuladores para se preparar para o Sail GP
Getty Images
– Nós temos pouco tempo na água. Os simuladores nos permitem testar novas pessoas em novas funções dentro do barco. Conseguimos trazer uma ação em vida real sem realmente ter uma ação em vida real – comentou Billy Gooderham, controlador do time do Canadá.
Além dos treinos de quinta e sexta, a equipe brasileira também vai recorrer aos simuladores momentos antes das provas no fim de semana, para ajustar os últimos detalhes antes de realmente entrar na água.
Barcos voadores
Barcos do Sail GP “voam” sobre a água por conta dos hidrofólios
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Nos barcos F50 do Sail GP, os hidrofólios funcionam como asas de avião debaixo d’água. Quando o barco ganha velocidade, essas estruturas geram sustentação e levantam o casco, fazendo com que ele “voe” sobre a superfície. Com menos contato com a água, o atrito diminui e a velocidade aumenta bastante. Por causa dessa diminuição de atrito com a água, as embarcações conseguem ultrapassar os 100 km/h.
O segredo para a maior velocidade começa sempre com o vento. Quando o barco usa as velas e pega velocidade, os hidrofólios geram sustentação, levantando toda a embarcação para fora da água. A partir daí, o maior desafio é manter o voo estável. Ajustes errados podem fazer o barco subir demais e perder controle ou descer e voltar a tocar na água, atrapalhando o desempenho das equipes.


