‘O país da apuração interminável’: por que o resultado da eleição no Peru demora tanto?
A candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma vantagem insuperável no segundo turno das eleições presidenciais no Peru na noite de terça-feira (23). Com 50,118% dos votos, Fujimori deve ser eleita presidente do Peru apesar do adversário Roberto Sánchez não reconhecer o resultado.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Às 2h de quarta-feira (24), Fujimori estava com 9.206.241 votos, frente os 9.162.855 de Sánchez, que contabiliza 49,822% dos votos. Faltam cerca de 40 mil votos a serem contabilizados, com 99,859% das urnas apuradas.
Mesmo que Sánchez levasse todos os votos restantes, Fujimori seguiria à frente.
A candidata à Presidência do Peru Keiko Fujimori durante comício em Lima no dia 9 de abril de 2026
Angela Ponce/Reuters
Candidato de esquerda contesta resultado
O candidato presidencial de esquerda do Peru, Roberto Sánchez, disse na terça-feira (23) que não reconhece o resultado do segundo turno das eleições presidenciais do país – a apuração até o momento aponta a vitória da rival, Keiko Fujimori.
Em uma coletiva de imprensa, Sánchez afirmou que “há fraude em curso” no processo de contabilização dos votos e convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto no sábado (27).
“Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, disse Sánchez, acusando a ONPE, autoridade eleitoral do Peru, e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos depositados no exterior.
O candidato presidencial de esquerda do Peru, Roberto Sánchez, usa um megafone para discursar para seus apoiadores durante um protesto
REUTERS/Alessandro Cinque
As autoridades eleitorais vêm revisando as cédulas contestadas do segundo turno de 7 de junho há pouco mais de duas semanas.
Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, chegou a liderar a apuração durante dias, mas Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, voltou a passar à frente devido aos votos de cidadãos peruanos no exterior.
No estrangeiro, ela tem 63.206% dos votos; já no Peru, Sánchez está ligeiramente à frente com 50.113%, segundo atualização de terça-feira.
Nesta segunda-feira (22), o candidato de esquerda apresentou um novo recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país.
Sánchez alega supostas irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior. Isso representa cerca de 300 mil votos, que teriam favorecido amplamente Keiko Fujimori. Segundo o candidato de esquerda, se os votos do exterior forem excluídos, ele teria uma vantagem de aproximadamente 25 mil votos sobre sua adversária.
A candidata presidencial de direita do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez antes de um debate televisionado em 31 de maio em Lima, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho.
Reuters/Alessandro Cinque
Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.
O partido de Sánchez, Juntos pelo Peru, conquistou o segundo maior número de cadeiras no Congresso, garantindo 32 das 130 cadeiras na Câmara dos Deputados e 14 das 60 cadeiras no Senado.
O partido de Fujimori terá a maior bancada, com 22 cadeiras no Senado e 41 na Câmara dos Deputados, e afirmou que vai aguardar a conclusão total da apuração antes de reivindicar a vitória.


