Raízes históricas unem Paraná e Japão
Nascido no Paraná, Alex Santos tem o nome marcado na história do futebol japonês. Aos 16 anos, ele deixou Maringá, onde nasceu, para construir a carreira no país asiático. Se naturalizou e defendeu o Japão em duas Copas do Mundo, em 2002 e 2006, e enfrentou o Brasil em um dos Mundiais.
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O brasileiro fez no Japão praticamente toda a carreira nos gramados. Por lá, Alex dos Santos foi eleito o melhor jogador da J.League em 1999 e, em 2001, decidiu se naturalizar japonês. Além de jogar as Copas do Mundo, conquistou a Copa da Ásia de 2004 e se consolidou como um dos principais ídolos da seleção japonesa na época.
— Eu jogava na escolinha do Grêmio Maringá e sai cedo. Um dia estava jogando aqui, mais compondo elenco, mas neste meio tinha alguns professores do Japão aqui e me convidaram para jogar lá. Foi algo inusitado e que deu certo. Para mim era um sonho e que se tornou objetivo. Eu queria ser um atleta profissional e aquilo, ir para o Japão, foi uma oportunidade — relembrou, em entrevista à RPC Maringá, afiliada da TV Globo.
— O futebol japonês passava na televisão aos domingos pela manhã. Zico estava lá, o Alcindo estava lá, a Bismarck estava lá, o Carlos Alberto Santos estava lá. Eu falei: tive essa oportunidade, tenho que agarrar — comentou.
Alex Santos pendurou as chuteiras em 2016, pelo PSTC. Hoje, aos 48 anos, mora em Maringá, onde fundou o Aruko Sports Brasil, nome escolhido justamente pelas raízes japonesas de Alex. O clube posteriormente se transformou no Galo Maringá, onde ele exerce a função de CEO.
Alex Santos, brasileiro que defendeu o Japão nas Copas de 2002 e 2006
Reprodução/RPC
Da adolescência em Maringá ao sonho japonês
A ligação de Alex com o Japão começou ainda na adolescência. Aos 16 anos, deixou Maringá rumo a um país onde o futebol ainda dava os primeiros passos após a criação da J-League, no início da década de 1990.
O destino inicial foi uma escola esportiva em que o beisebol era a principal modalidade, cenário bem diferente daquele que imaginava para seguir carreira.
— Saí muito cedo daqui para ir para o Japão e fui para uma escola que, dentro do futebol, não tinha nenhum conceito. Eu busquei meu sonho em lugares que parecia muito difícil de ter uma oportunidade, e as coisas chegaram na hora certa — detalhou Alex.
— Foi tudo muito rápido, mas foi tudo muito suado. Saí de uma cidade pequena, que é Maringá, saí de um clube pequeno, que é o Grêmio Maringá. Fui para uma escola que não tinha nenhuma cultura dentro do futebol e estava trazendo brasileiros. Era uma escola que não tinha encaminhado ninguém para uma equipe profissional, fui um dos primeiros — relemnbrou.
Alex dos Santos Japão 2003
Getty Images
Alex Santos começou no Shimizu S-Pulse, onde jogou de 1997 a 2003. Ali rapidamente venceu a desconfiança, conquistou o espaço e se tornou nome importante no clube. O bom começo e o prestígio no país asiático fez o jogador decidir por se naturalizar japonês.
— Quando eu chego no clube, chego como o quarto estrangeiro, como “vamos ver o que esse moleque vai dar”. E foi um meteoro. No meu terceiro ano fui o melhor jogador do Japão, no quarto fui o melhor jogador da Ásia. E já pensando, por que não naturalizar, por que não ficar no Japão? Foi muito rápido, imagina, no meu quarto ano como profissional eu já estava me naturalizando — contou.
Depois defendeu o Urawa Reds por três anos, teve uma passagem pela Áustria, no Salzburg, e voltou ao Urawa para mais duas temporadas. Ele foi em seguida para o Nagoya Grampus e fechou o ciclo no Japão por Tochigi e Gifu.
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Duas Copas e um encontro com o Brasil de Ronaldo
Alex Santos também não demorou para conquistar espaço na seleção e, em 2002, disputou sua primeira Copa do Mundo, justamente no Japão e na Coreia do Sul. Ele fez dois jogos, contra a Bélgica, na estreia, e contra a Turquia, nas oitavas de final.
A segunda participação veio quatro anos mais tarde, justamente na Alemanha, quando enfrentou o Brasil na derrota por 4 a 1 pela fase de grupos — partida marcada pelos dois gols de Ronaldo, que superou Pelé como maior artilheiro da história dos Mundiais naquele momento.
Alex Santos faz marcação de Kaká em Brasil 4 x 1 Japão, na Copa de 2006
Getty Images
Entre uma Copa e outra, Alex também encarou a seleção brasileira na Copa das Confederações de 2005, em um empate por 2 a 2. Mesmo vestindo outra camisa, o ex-meia nunca escondeu a emoção de dividir o campo com jogadores que sempre admirou.
— Foi a realização de um sonho, de atletas que eu só via pela televisão, de pessoas que falavam: “nossa, a gente vai jogar contra esses caras aí”. Pra gente foi super legal, era um sonho. Copa do Mundo contra o Brasil também. Então, era também uma realização, jogar uma Copa do Mundo era o ápice de qualquer jogador, e ainda mais contra o Brasil — destacou.
Zico no banco e um ídolo como treinador
Alex Santos, brasileiro que defendeu o Japão nas Copas de 2002 e 2006, ao lado de Zico
Reprodução/RPC
A consolidação como um dos principais nomes do futebol japonês coincidiu com outro momento especial da carreira: ser comandado por Zico. O maior ídolo de Alex assumiu a seleção japonesa após a conquista da Copa da Ásia de 2004 e permaneceu até o Mundial de 2006. A admiração virou combustível dentro de campo.
— Eu pensava: caramba, meu ídolo me treinando. O que eu vou fazer agora? Para cair a ficha demorou. Caramba, é o Zico. Para mim foi muito desafiador e muito legal — destacou Alex.
— Ele fez com que eu gostasse do futebol. Então eu pensava: agora quero retribuir, quero jogar pra caramba. Quero ajudar a seleção do Japão, ajudar o meu professor. Com o Zico, aquela sensação ainda foi maior. Foram momentos inesquecíveis — concluiu.
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Um pioneiro na seleção japonesa
Alex Santos, que joga no Japão, faz versão de `Ai se eu te pego` em japonês
Alex também reconhece que sua presença na seleção japonesa representava algo além do desempenho técnico. Negro e nascido no Brasil, tornou-se uma figura rara na equipe nacional do país asiático.
— Valeu a experiência, valeu de ter jogado, valeu ter me naturalizado. Eu respeito muito a seleção japonesa, o povo japonês. Me sinto um japonês negro, me identifico muito com o país. Não me arrependo — falou o ex-jogador.
Alex Santos, brasileiro que defendeu o Japão nas Copas de 2002 e 2006
Reprodução/RPC
O coração dividido antes do mata-mata
A trajetória histórica no futebol japonês faz Alex dos Santos admitir que a torcida ficará do lado asiático. A escolha pode soar incomum para quem nasceu no Brasil, mas faz sentido para quem construiu uma história em terras japonesas.
— Eu espero que a Seleção [Brasileira] não vá muito bem, não (risos). Vou torcer para o Japão, mas não vou ficar triste se o Brasil passar. É igual ter o pai e a mãe. E aí, qual você escolhe? — disse Alex Santos.
— Eu sou muito agradecido por tudo que o Japão fez por mim. É uma história muito legal. O Japão me ensinou muitas coisas que eu guardo até hoje. Foram 21 anos de futebol japonês, de cultura japonesa — comentou o ex-jogador.
Quem se classificar do duelo Brasil x Japão terá pela frente o classificado de Holanda x Marrocos. As seleções da Europa e da África se enfrentam ainda nesta segunda-feira, às 22h (de Brasília), em Monterrey, no México.
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