Abelardo de la Espriella vence as eleições presidenciais na Colômbia, aponta apuração preliminar
A apuração preliminar dos votos na Colômbia aponta que o advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial por uma margem apertada neste domingo (21).
Segundo os dados do chamado “preconteo” divulgados pelas autoridades eleitorais, De la Espriella superou o senador Iván Cepeda por menos de 250 mil votos.
A última atualização aponta 12.952.979 votos para Espriella, candidato de extrema direita apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e 12.704.664 para o esquerdista Cepeda, aliado do atual presidente colombiano, Gustavo Petro.
🔎 Na eleição colombiana, a apuração tem duas etapas. A primeira é o chamado “preconteo”, uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação usada para projetar o resultado. Mas, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o “escrutínio”, em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências.
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Esse processo deve ocorrer nesta segunda-feira (22) e, no 1º turno, levou dois dias para ser concluído.
Em um vídeo, De la Espriella celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou.
Cepeda fez um pronunciamento a apoiadores e afirmou que não trata o resultado como oficial e que vai aguardar o escrutínio. “Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado.”
Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio.
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.
O triunfo do direitista De la Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
Candidato de direita Abelardo De La Espriella gesticula entre apoiadores durante 2º turno das eleições presidenciais da Colômbia em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
REUTERS/Jair Coll
O empresário fez campanha como discurso “antissistema” e propostas linha-dura na segurança, como uma ofensiva militar contra grupos armado e narcotraficantes e a construção de megapresídios inspirados no modelo de El Salvador.
Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, o advogado também defende retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover “políticas de esquerda”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou mais uma vitória da direita na região. “O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás”, postou em uma rede social. Veja a repercussão.
Eleições na Colômbia
Arte/g1
Direita x esquerda no 2º turno da eleição colombiana
Como novo presidente da Colômbia, Espriella se juntará a outros líderes de direita eleitos recentemente na América Latina, entre eles Jorge Kast, no Chile, e Rodrigo Paz, na Bolívia.
No Peru, a apuração se arrasta por duas semanas, e a também direitista Keiko Fujimori está à frente.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia informou que a votação a ocorreu de forma tranquila e foi acompanhada por observadores internacionais.
Quem é Abelardo de la Espriella
Advogado e empresário sem experiência política, De la Espriella apresenta-se como um “salvador antissistema” e promete um corte radical de gastos.
Ele é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Trump.
Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, promete uma ofensiva militar contra o crime e a construção de 10 megaprisões.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
O discurso do candidato da direita foi o que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia, fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.
Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40% e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
Apoiador de Aberlardo de la Espriella vota durante 2º turno das eleições presidenciais, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Jair Coll/ Reuters


