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Barcelona Asiático? Como Felipão, Rivaldo e Zico mudaram a história de país estreante na Copa

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Jordânia e Uzbequistão celebram vagas inéditas na Copa do Mundo
Antes de o Uzbequistão aparecer no mapa da Copa do Mundo, torneio que disputará pela primeira vez em 2026, o país tentou chamar a atenção do futebol mundial importando um pedaço do Brasil.
Entre 2008 e 2010, Rivaldo, Zico e Felipão participaram de um projeto ambicioso do Bunyodkor. A classificação uzbeque para o Mundial dá luz a esta aventura pouco conhecida pelos brasileiros. O time conquistou quatro campeonatos nacionais na história, sendo dois com participação do trio do Brasil.
Anúncio não concretizado de Eto’o
A ida do atacante campeão da Copa do Mundo de 2002 com a seleção brasileira para o Uzbequistão se deu depois de uma tentativa frustrada do Bunyodkor de contratar Eto’o, então no Barcelona. O clube queria uma estrela internacional para causar impacto e chegou a anunciar um acordo com o camaronês, que estava em sua última temporada no time espanhol.
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Em julho de 2008, três anos após ser fundado por um grupo de empresários do setor petrolífero, o Bunyodkor anunciou em seu site oficial que Samuel Eto’o assinaria com o clube por seis meses.
A notícia fez o time ganhar projeção mundial. Apesar de um porta-voz oficial do Barcelona negar ter conhecimento da transferência, o atacante disse que considerava a ida para o Bunyodkor, que apostava em um projeto financeiro para convencer a estrela.
A relação entre os clubes era boa, e eles tinham parceria para formação de atletas nas categorias de base. O Bunyodkor chegou a ser chamado de “Barcelona Asiático”. Na época, as equipes fizeram um amistoso em Tashkent, e Eto’o e outros craques do time espanhol visitaram as instalações do clube uzbeque, mas a transferência não se concretizou. Os italianos Milan e Internazionale entraram na briga pelo centroavante, que acabou fechando com a Inter em 2009.
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Rivaldo fez história
Sem Eto’o, o Bunyodkor foi atrás de Rivaldo, que deixou a Grécia para assinar um contrato de dois anos avaliado em 10,2 milhões de euros (cerca de R$ 25 milhões na época). Na estreia, o brasileiro marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre o Mashaal, pelo Campeonato do Uzbequistão.
Em 2009, ele protagonizou uma sequência incomum que o tornou, na época, o primeiro jogador do mundo a marcar um gol, depois dois, depois três e depois quatro gols em quatro partidas consecutivas. Ele fez um gol no primeiro jogo e dois no segundo, ambos contra o Navbahor. Na terceira partida, marcou três vezes contra o Metallurg. No quarto jogo da série, o Bunyodkor goleou o Sogdiana Jizzakh por 5 a 0, com Rivaldo anotando quatro gols em apenas 17 minutos.
Rivaldo em ação pelo Bunyodkor em 2008
Simon Cross/Getty Images
Rivaldo foi o artilheiro do Campeonato Uzbeque de 2009 com 20 gols. Ele deixou o clube em agosto de 2010, depois de ter marcado 42 gols em 76 jogos e conquistado duas vezes o título nacional. Seu destino seguinte foi o São Paulo, onde fez sete gols em 46 partidas.
Zico e os dois títulos nacionais em um ano
Poucas semanas depois de anunciar Rivaldo, o Bunyodkor contratou outro renomado brasileiro. Zico foi escolhido para substituir o técnico uzbeque Mirjalol Kasimov. A passagem do ídolo do Flamengo pelo país foi curta — setembro de 2008 a janeiro de 2009 —, mas teve um impacto enorme porque coincidiu com o auge do projeto que tentava transformar o clube numa potência asiática.
Zico com o zagueiro Luizão em jogo do Bunyodkor em 2008
Divulgação
Embora tenha permanecido apenas cerca de 100 dias no cargo, Zico conquistou os dois principais títulos nacionais da temporada 2008, o Campeonato Uzbeque e a Copa do Uzbequistão (primeiro troféu da história do clube), e levou a equipe à semifinal da Liga dos Campeões Asiática. O trabalho era considerado bem-sucedido, mas, em janeiro de 2009, o CSKA Moscou procurou o técnico, e a oportunidade de voltar ao futebol europeu falou mais alto.
A contratação surpreendente de Felipão
Após a saída de Zico, o Bunyodkor apostou em outro brasileiro, e a contratação de Felipão foi tratada como uma das movimentações mais inesperadas do mercado de treinadores em 2009.
— Estou no lugar certo, na hora certa — disse Felipão ao acertar com o clube uzbeque.
Ele teria o contrato rescindido pelo Chelsea, da Inglaterra, e a expectativa do mercado era que permanecesse em alguma grande liga europeia. Em vez disso, o pentacampeão do mundo com o Brasil deixou um gigante da Premier League para trabalhar em um mercado nada popular. Felipão comentou a passagem pelo Uzbequistão em entrevista recente ao “Abre Aspas” do ge:
— O Rivaldo estava no Uzbequistão com mais três brasileiros e me indicou. Quando saí do Chelsea, surgiu a oportunidade. Começamos ali a trabalhar o futebol do Uzbequistão, não só eu, mas aproveitaram a oportunidade e levaram outros técnicos… Jogamos 32 partidas, ganhamos 28 e empatamos quatro. Foi uma campanha bem boa — recordou Felipão.
— Estava quase acertado com o Valencia. Até viajei e escolhi casa, mas o Chelsea disse que, se eu permanecesse na Europa, o contrato não seria rescindido, mas encerrado, sem o acerto de pagamentos. Poderia voltar ao Brasil ou ir a outro lado que seria honrado. Fui ao Uzbequistão e recebi praticamente duas vezes. Ganhava até mais do que no Chelsea — completou ele.
Feilipão treinou o Bunyodkor, do Uzbequistão
Divulgação
Um levantamento feito pelo jornal catalão “Sport” na época mostrou que Felipão era o técnico mais bem pago do planeta. Além dos 13 milhões de euros (R$ 35 milhões na cotação de 2009) por 18 meses de contrato, ele receberia 8 milhões de euros (R$ 23 milhões) da multa rescisória do Chelsea.
Além de Rivaldo, os outros brasileiros no time eram o zagueiro Leomar, o lateral-direito Edson Ratinho e o volante João Victor. Com Felipão, o Bunyodkor conquistou o campeonato nacional de 2009.
O projeto do clube, porém, era virar campeão continental, mas foi eliminado nas quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia em 2009 e, no ano seguinte, deixou o torneio nas oitavas, o que marcou o fim do ciclo.
Em 2010, Rivaldo também rescindiu o contrato e se transferiu para o São Paulo. O sonho de transformar Tashkent em um polo global do futebol perdeu força e, pouco depois, o Bunyodkor entrou em crise financeira que dura até hoje.
De toda forma, o clube até manteve a hegemonia doméstica, conquistando o Campeonato Uzbeque de 2011 e 2013, as Copas do Uzbequistão de 2010, 2012 e 2013, além da Supercopa de 2014.
Também voltou a alcançar a semifinal da Liga dos Campeões da Ásia em 2012. Porém, as estrelas estrangeiras desapareceram, a parceria com o Barcelona esfriou e o clube passou a apostar mais em jogadores formados em casa.
A partir de 2014, deixou de disputar os títulos com a mesma frequência e foi superado por rivais como Pakhtakor, Nasaf e Lokomotiv Tashkent.

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