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Aplicada e inteligente, Austrália trava e vence a desequilibrada Turquia

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A noite deste sábado terá lugar especial na história do futebol australiano. A começar pela quantidade de apostas bem sucedidas feitas pelo técnico Tony Popovic, passando pela maneira como a estratégia para o jogo foi executada, e chegando ao número de cinco vitórias do país na história das Copas. A Turquia, dona de 30 finalizações na partida, foi surpreendida e sofreu uma derrota inesperada.
Os turcos não podem reclamar da falta de sorte. Apesar do maior volume ofensivo, mostraram poucas alternativas para entrar na competente defesa adversária. Foram mais de dez finalizações bloqueadas por Souttar e companhia. Uma aula de proteção de área! Não bastasse a dificuldade para balançar a rede, a Turquia se expôs demais, e em nenhum momento mostrou-se segura defensivamente.
Escalações
Tony Popovic surpreendeu ao escalar o jovem Beach no gol. Ele havia feito apenas dois jogos como titular com a camisa da seleção. O experiente Ryan ficou no banco. Irankuda foi outra novidade no sistema ofensivo australiano, assim Okon no meio-campo. Irvine iniciou entre os reservas.
Vincenzo Montella não pôde escalar Yildiz desde o início. Akturkoglu foi o centroavante e Baris Yilmaz foi o ponta-esquerda.
Como Austrália e Turquia iniciaram o duelo válido pela 1ª rodada do Grupo D da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Que a Turquia iria ter a bola por mais tempo e tentar dominar a Austrália desta forma já era algo certo. O que pouca gente imaginava que pudesse acontecer foi a dificuldade dos europeus em entrar na defesa da seleção da Oceânia. Os Socceroos se fecharam muito bem e não deixaram de apresentar algum repertório para gerar incômodo ao adversário quando tinham a posse.
E neste segundo momento ficou nítido o quanto a Turquia tem problemas para defender de forma organizada. Esteve no meio do caminho entre buscar a marcação na saída de bola adversária ou se proteger no próprio campo. Gerou espaços entre os setores e muitos metros nas costas de sua pesada dupla de zaga para a Austrália explorar. O gol não poderia ter saído de outra forma.
Okon recebeu uma reposição rápida do goleiro Beach e carregou até lançar Irankuda em profundidade. Ele passou como quis por Demiral e abriu o placar. O agressivo atacante australiano ainda incomodou em outros ataques parecidos, mas faltou calma terminá-los com correção. Touré e Metcalfe também geraram problemas nas jogadas de velocidade. Os alas avançaram pontualmente.
A Austrália nem sempre trabalhava com bolas longas diretamente. Em diversos momentos, trocou alguns passes curtos entre zagueiros, alas e volantes para atrair o débil sistema defensivo turco. Praticamente não foi desarmada perto da própria área. Não havia organização e pressão na bola no time vermelho para isso.
Nestory Irankunda comemora gol da Austrália contra a Turquia com Mohamed Toure
REUTERS/Lee Smith
Os turcos acumulavam muitos jogadores na já congestionada faixa central do gramado. Arda Guler flutuava livremente da direita para o centro. Çalhanoglu tentava reger o time com bons passes. Kokçu buscou ficar entre as linhas de meio e de defesa do rival, mas o espaço era escasso. Kadioglu avançava em diagonal, da esquerda para dentro, tentando deixar Yilmaz no mano a mano com Italiano.
O ponta até conseguiu duas boas jogadas. Arda Guler fez Beach trabalhar em uma delas. Mas quase sempre havia dobras de marcação bem definidas e coberturas próximas. O lado direito com Zeki Çelik foi pouco explorado. A solução dos europeus foi apostar em chutes de média e longa distância. O zagueiro Bardakci quase marcou um golaço assim. Beach impediu!
Faltaram movimentos de ataque à profundidade, tentar empurrar a última linha oponente para dentro do gol e liberar espaços. Akturkoglu esteve bastante apagado. Montella pôs em campo seu principal atacante na volta para o 2º tempo. Yildiz substituiu Baris Yilmaz. O time automaticamente procurou ainda mais o lado esquerdo e conseguiu ser um pouco mais agressivo perto da área.
Penetrar, porém, continuou sendo um problema. Beach precisou trabalhar novamente em cobrança de falta perigosa de Arda Guler. Yuksek foi mais um a assustar em chute de fora da área. A primeira mudança australiana aconteceu aos 15 minutos da 2ª etapa. Irankuda saiu exausto para a entrada de Velupillay.
Jacob Italiano, jogador da Austrália na Copa do Mundo
REUTERS/Agustin Marcarian
Montella resolveu acrescentar mais um ponta na equipe. Yunus Akgun substituiu o sumido Kokçu. Arda Guler passou para a meia-central. Os Socceroos mantinham-se determinados. Seu 5-4-1 compacto em menos de 30 metros da intermediária defensiva virou uma barreira amarela para a Turquia, que começou a se impacientar e multiplicar os erros na tentativa de criar pelo meio.
Depois da parada para hidratação, a Turquia começou a trabalhar mais vezes pelo lado direito. Zaki Çelik quase empatou ao receber um belo passe de Çalhanoglu. Beach impediu. Novamente a Austrália foi mais contundente na sequência. Metcalfe recebeu nas costas do meio-campo e conduziu em velocidade até bater com perfeição da entrada da área e ampliar o placar.
Beach provou estar em noite ilumidada ao defender uma forte finalização de Akturkoglu da marca do pênalti. A mais perigosa da Turquia no jogo. Se o placar fosse diminuído naquele momento, os turcos certamente reverteriam o aspecto anímico da partida. Algo que não aconteceu até o apito final, mesmo com novas mexidas nos dois times. Vitória justíssima da seleção da Oceania.

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