A queda de Cláudio Caçapa do Confiança após a derrota para o Ituano, no último domingo, pela sexta rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, não foi de todo modo uma surpresa. Mas ela representa algo muito maior que a simples saída.
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Cláudio Caçapa, ex-técnico do Confiança
Sérgio Luis/ADC
Caçapa comandou o Confiança por pouco mais de dois meses, e os números não foram bons. Ao todo foram 18 jogos, com cinco vitórias, quatro empates e nove derrotas, em um aproveitamento total de 35%.
Sob comando de Caçapa, o Confiança foi vice-campeão estadual para o Sergipe, em um cenário onde ele estreou no jogo de volta da semifinal contra o Itabaiana e teve pouco tempo para causar um real impacto.
Nas copas, chegou até as quartas de final da Copa do Nordeste e a quinta fase da Copa do Brasil – encara o Grêmio na próxima quinta-feira, pelo jogo da volta. Mas foi o desempenho na Série C, grande foco do ano, que realmente complicou o trabalho.
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Após seis rodadas, o Confiança tem apenas três pontos, com uma vitória e cinco derrotas, e é o 18º na tabela. O time proletário está empatado com o Anápolis, que abre a zona de rebaixamento – em 2026, apenas dois times são rebaixados.
Em uma jornada de pouco tempo e muitos jogos, Cláudio Caçapa teve um trabalho marcado pela oscilação.
Ao longo de 18 partidas, o time até teve boas apresentações, como em sua estreia diante do Itabaiana no estadual, nas vitórias sobre Fluminense-PI na Copa do Nordeste, Tombense na Copa do Brasil e Santa Cruz na Série C, e no empate contra o Vitória também na Copa do Nordeste. Mas ao mesmo tempo, o Confiança sofreu para realmente emplacar.
Brusque x Confiança
Vitória Bueno
Tanto que, nos 18 jogos, o Dragão não conseguiu nenhuma sequência de duas vitórias consecutivas. Era comum ver o time alternar entre partidas promissoras, onde dava bons sinais, e outras em que o desempenho caía bastante e o resultado não vinha.
Além disso, foi clara a dificuldade de Caçapa em encontrar uma espinha dorsal ideal de time titular. E não foi por falta de tentativa: ele utilizou três atacantes com referência, três atacantes sem referência, meio campo com quatro e com três atletas, e na partida contra o Ituano chegou a jogar com três zagueiros.
É bem verdade que, no meio campo, ele havia encontrado uma base nas últimas partidas com Renilson, Gabriel Zeca e PK. Mas nos outros setores, a alternância foi grande, e o time teve problemas de encaixes visíveis.
Caçapa deixa o Confiança em uma sequência de seis jogos sem vencer, a pior do ano até aqui. Nela, o time levou 10 gols, evidenciando que a segurança defensiva é o ponto crucial para o próximo nome resolver.
Foi um trabalho que não conseguiu fazer o Confiança ser um time constantemente competitivo. E isso em uma competição como a Série C, onde muitas vezes a competição vale mais que a técnica, cobra seu preço.
Mas em meio a um comando que não emplacou, alguns dos problemas citados indicam que a questão vai além especificamente do treinador.
Cláudio Caçapa é apresentado como novo técnico do Confiança
Sérgio Luís/ADC
Estamos no mês de maio, e o próximo treinador a ser anunciado pelo Confiança será o quarto na temporada. Além disso, há questões que perpassam o ano inteiro: o ataque, mesmo com o estadual quase todo disputado sem Caçapa, tem 26 gols em 29 jogos.
Desde que a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) assumiu o controle do Confiança dentro de campo, esperavam-se muitas mudanças. Fora de campo, questões estruturais importantes vêm sendo modificadas, e é claro que com a expectativa a longo prazo, não dá para cravar sucesso ou fracasso em apenas poucos meses.
Mas para um torcedor que tem a régua tão alta, o início vem deixando a desejar. Até porque, em nenhum momento até aqui de 2026 o Confiança teve desempenhos que realmente empolgaram sua torcida.
O elenco, de forma geral, também não vem dando a devida resposta. Alguns nomes até conseguem se destacar isoladamente, mas como um todo ainda são necessárias mais peças de forte impacto, e talvez a exceção do gol, há lacunas em todos os setores.
O ataque, por exemplo, já citado anteriormente, mostra isso de forma clara. Os três centroavantes do time (Maikon Aquino, Sassá e Wendel Jr) têm seis gols marcados nas 60 vezes que entraram em campo no ano. Ainda assim, Wendel é o artilheiro de 2026, com quatro gols.
Jogadores do Confiança celebram gol de João Pedro contra o Santa Cruz na Série C
Sérgio Luís/ADC
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Tudo isso já havia dado as caras ao longo do estadual com outros trabalhos, e não cabe apenas a Caçapa. Neste sentido, a saída dele é apenas mais uma peça de um ano que vem sendo problemático nas quatro linhas.
Obviamente, a situação pode ser revertida. O Confiança igualou em seis rodadas sua campanha da Série C de 2025, e no ano passado arrancou para ficar a um ponto do G-8 na reta final. A competição é muito nivelada e permite que essas mudanças aconteçam.
Porém, o sinal de alerta está ligado. E por mais que não seja a única questão, é preciso fazer uma próxima escolha assertiva no treinador para não ser puxado pela areia movediça que é uma briga contra o rebaixamento.
Ainda dá tempo – de sobra – para 2026 ser salvo no Sabino Ribeiro. Basta saber como.
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