Cruzeiro 0 x 0 Santos | Melhores momentos | 8ª rodada | Brasileirão 2026
Quem parou para ver o empate entre Cruzeiro e Santos na tarde de domingo certamente contou alguns pontos a mais no dia do julgamento final. Afinal de contas, a partida foi uma das piores do campeonato, com o placar zerado refletindo o momento desanimador das equipes. Será impossível “desver”, mas certamente deixa muito para ser avaliado por Artur Jorge, novo técnico da Raposa.
Para os cruzeirenses, a campanha do time no Brasileiro até agora vem sendo um castigo. Na segunda partida depois da demissão de Tite, a equipe continuou mostrando alguns problemas graves, como a absoluta incapacidade de construção ofensiva — como um bloqueio criativo diante de um campo que há oito rodadas parece uma página em branco.
O setor defensivo consegue viver uma fase ainda pior. Apesar de ter saído de campo sem sua meta vazada (o primeiro jogo em que o time não levou gols no Brasileiro), o Cruzeiro tem a pior defesa do campeonato, com 16 gols sofridos. E a derrocada da equipe em relação ao ano passado passa por termos coletivos, mas também pelo aspecto individual — nomes importantes, como Fabrício Bruno e Matheus Pereira, não conseguem sequer se aproximar do brilhantismo da última temporada. Contratação mais cara da história do clube, Gérson parece um jogador comum — e todos sabemos do nível que seu futebol pode alcançar.
Não se pode falar em um time inconstante. Na verdade, é o contrário: o Cruzeiro passa por uma fase de amarga estabilidade, com todos os setores do time apresentando um desempenho igualmente comprometedor. Essa tempestade estrelada perfeita faz com que a equipe, única a não ter vencido no campeonato, hoje esteja pregada ao rodapé da tabela, ocupando a constrangedora última posição, algo que nem os mais assanhados “secadores” ousariam prever no início do Brasileiro.
Artur Jorge comandando o Al-Rayyan
NurPhoto / Getty
A próxima partida acontece em 1º de abril, diante do Vitória, no Mineirão. Até lá, são quase dez dias para que Artur Jorge comece uma dura empreitada: implementar uma nova identidade ao time — em pleno mês de março, o Cruzeiro já vive um processo que requer salvamento imediato.
O técnico português parece ser uma investida certeira: há pouco mais de um ano, era campeão brasileiro e da Libertadores com o Botafogo. Diferente de Tite, o novo técnico procura montar times que buscam transições rápidas, dando profundidade ao campo, características que parecem apropriadas ao elenco cruzeirense.
Após o empate contra o Santos, o goleiro Matheus Cunha afirmou que o Cruzeiro precisa virar a página sobre Leo Jardim, técnico que, segundo ele, teve um ano muito bom, mas não ganhou nada. O substituto de Cássio tem certa razão, pois não há outra alternativa senão olhar para frente. No entanto, a expectativa (por enquanto, totalmente frustrada) é bastante compreensível: o trabalho de Jardim deixou evidente o quanto esse grupo pode render. A partir de agora, sob novo comando, os próprios jogadores também precisam ajudar a descobrir outras páginas.
torcida do Cruzeiro protesta no mineirão: “Time sem vergonha!”


