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A história por trás da contratação de Leonardo, ídolo do Sport, morto há dez anos: “Ofereceram Rivaldo”

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Leonardo: a história por trás da contratação do eterno ídolo do Sport
Leonardo é um dos maiores nomes da história do Sport – para alguns, o maior atacante rubro-negro de sempre. Está imortalizado pelos nove títulos conquistados, 136 gols e uma infinidade de momentos memoráveis com a camisa que vestiu em 367 oportunidades pelo Leão e o levou à seleção brasileira.
No mês em que se completam os 10 anos da precoce partida do ex-atacante, falecido em 1º de março de 2016, aos 41 anos, o ge buscou resgatar uma história nunca antes devidamente esclarecida na trajetória de Leonardo: a da chegada dele à Ilha do Retiro.
Afinal, o Sport deu ou não deu um “balão” no Santa Cruz para contratar o jovem atacante que se destacava na Sociedade Esportiva de Picos (SEP)? A reportagem foi ao Sertão piauiense ouvir ex-dirigentes e familiares de Leonardo. No Recife, resgatou publicações antigas e ouviu os envolvidos ainda vivos no episódio de 34 anos atrás.
Leonardo: as origens de um ídolo para sempre vivo na história do Sport
O início no Picos
Leonardo vem de uma família de jogadores. O pai, Francisco das Chagas Silva, o seu Chico, os irmãos, Joselito e Josimar, o primo Renatinho, todos carregavam o futebol no DNA.
– Quando ele tinha uns 8 anos, já ia atrás de bola na beira do rio. Meus irmãos já jogavam e levavam ele. No começo, ele jogava futebol de salão – recorda Fabíola Pereira, irmã de Leonardo.
– Ele jogava no Casa Almir Sá, entre 1989 e 1990. Foi quando já se destacou no salão e aí chamaram ele pra já jogar no Intermunicipal pela SEP. Foram campeões e ganharam a vaga pra jogar a Primeira Divisão do Piauiense. Em 1991, a SEP foi campeã de novo – conta Márcio Beltrão, amigo de infância de Leonardo.
Leonardo é o primeiro agachado, da esquerda para a direita, na foto do time do Picos que venceu o Piauiense 1991
Severino Filho – O Buim
O gol do título da elite estadual, inédito para uma equipe do interior piauiense, saiu numa jogada em família. Leonardo, aos 17 anos, deu passe na medida para o primo, Renatinho, marcar o gol da vitória por 1 a 0, diante do River, no dia 17 de dezembro de 1991, em pleno estádio Albertão, em Teresina (ver gol abaixo).
Com o título, o Picos se classificou pela primeira vez para a Copa do Brasil e para a Série B do Campeonato Brasileiro no ano seguinte. Franzino, veloz e decisivo, não tardou para que Leonardo despertasse a atenção de outros clubes.
Leonardo deu passe para gol de Natinho, e Picos conquistou o Piauiense de 1991
A primeira vez no Recife
Era por volta do dia 22 de fevereiro de 1992 quando um caminhão pau de arara deixava Picos abarrotado com cerca de 60 torcedores, entre crianças e adultos. Outro grupo, em maior número, partiu de ônibus. O destino era o Recife, mais especificamente o estádio do Arruda, onde a SEP enfrentaria o Santa Cruz, pela 5ª rodada da Série B, no dia seguinte.
O time piuaiense chegava embalado, invicto. Eram três empates e uma vitória. Ainda não tinha sofrido gols. Pela primeira vez, o clube comandado pelo técnico pernambucano João Pereira da Silva, o Mormaço (falecido em 2009), sairia para jogar fora de casa. Encararia o Tricolor, líder do Grupo A.
Torcida do Picos chega num pau de arara ao Arruda para Santa Cruz 6 x 1 Picos – Série B 1992
José Neri, então prefeito de Picos no início da década de 1990, era também presidente de honra da SEP, uma figura de ampla influência. Era ele quem financiava, por exemplo, dentre outras coisas, a folha do clube e as caravanas da torcida nos paus de arara. Diante do Santa Cruz, ele recorda o que frustrou sua torcida.
– Expulsaram nosso lateral, Valdinar, por reclamação e deu no que deu – lamenta.
O Santa Cruz venceu o jogo por 6 a 1. Mas o jogador que marcou o gol picoense ficaria gravado na mente de Raimundo Moura, presidente do Tricolor: Leonardo.
No dia 15 de março, o jovem atacante piauiense daria nova prova de que valia a atenção. Pela 8ª rodada, foi a vez do Santa Cruz visitar a SEP no estádio Helvídio Nunes, em Picos.
Após o Santa Cruz sair na frente com Marcelo, novamente Leonardo apareceu para marcar o gol de empate do Zangão (ver gol abaixo).
Picos x Santa Cruz pela Série B de 1992
Santa Cruz oferece Rivaldo como moeda de troca
Raimundo Moura não tardaria a procurar José Neri para buscar a contratação de Leonardo. Para isso, não titubeou: arrumou as malas e pegou os 821 quilômetros de estrada do Recife até Picos.
Como o dirigente tricolor já é falecido desde 2004, as versões contadas pelas pessoas envolvidas nessa história são distintas.
Para uns, como o radialista José Silvério – adiante explicaremos a importância deste personagem na história -, Raimundo aproveitou a ida da delegação coral a Picos para contratar Leonardo. Para outros, como o ex-presidente tricolor Alexandre Mirinda (diretor de futebol à época), ele teria ido dias depois do primeiro jogo contra a SEP, no Arruda, e por conta própria.
José Silvério, radialista cearense radicado no Recife
Daniel Leal/ge
O fato é que Raimundo esteve em Picos. Figura central nesse contexto, José Neri, 80 anos, diz ter recebido o presidente do Santa na cidade. Na versão do ex-dirigente da SEP, ele admite que negociou com o mandatário coral, mas que não chegou a acertar a transferência de Leonardo.
“Ele (Raimundo) tinha interesse. Ele queria Leonardo. Eu disse: ‘Olhe, estamos na competição. Deixe acabar’. Mas eu nunca acertei com ele”, garante Neri.
Dr. Júnior e José Neri, dirigentes históricos do Picos
Daniel Leal/ge
Waldemar Santos Júnior, conhecido como Dr. Júnior, dirigente da SEP à época, conta que o até então desconhecido atacante Rivaldo, que anos depois seria eleito melhor jogador do mundo (1999) e campeão mundial com a Seleção Brasileira (2002) foi oferecido. O técnico Mormaço não quis.
– Foram oferecidos Rivaldo, Leto, Válber, os três que foram para o Mogi Mirim, só para levar Leonardo. Mas Mormaço preferiu Josevaldo, que jogava de volante e zagueiro. Era um craque. O Santa Cruz achava que fazendo essa gentiliza ia ficar com Leonardo. Mas não foi assim – explica Dr. Júnior.
– Se houve essa oferta, eu não vou afirmar. Agora, era a base de ouro da gente, que tínhamos acabado de fazer a nossa melhor campanha na Copa São Paulo de Futebol Júnior, isso em 1990. Ficamos em terceiro lugar. E Rivaldo foi um dos grandes destaques – ressalva, por sua vez, Mirinda.
Registro de Leonardo na SEP, em 1991
Arquivo pessoal
Se Raimundo chegou ou não a usar Rivaldo como moeda de troca, a realidade é que o presidente do Santa Cruz talvez não soubesse, mas o dirigente do Picos guardava consigo um segredo. Formado em Fármarcia pela Universidade Federal de Pernambuco, Dr. Júnior viveu entre as décadas de 1970 e 1980 no Recife. E passou a ter um carinho especial por um clube da capital: o Sport.
“Quando fui estudar no Recife, morava vizinho à Ilha do Retiro. Eu era vizinho de Merica (ex-volante). Criei amor pelo Sport ali. Depois trouxe tudo isso comigo para Picos”, revela.
Essa proximidade do dirigente com as cores rubro-negras também faria diferença para o destino de Leonardo.
– As nossas famílias eram ligadas. O avô de Leonardo foi vaqueiro do meu avô. Era uma família humilde e a gente sempre teve uma boa relação. E Leonardo me ouvia muito também – reforça Dr. Júnior.
José Silvério rememora contratação de Leonardo, ídolo do Sport
O alerta de um radialista
O alerta para o Sport veio do radialista José Silvério, que na época trabalhava na Rádio Continental, no Recife. Em março de 1991, o então repórter viajou para Picos, onde viu, em pleno Helvídio Nunes, o estrago que Leonardo fez no 1 a 1 contra o Santa Cruz.
– Leonardo arrebentou no jogo. Era franzinho, magrinho, tinha só 17 anos. Na volta, fui almoçar com Paulo Ferro, muito amigo meu. Ele me perguntou como tinha sido em Picos e eu disse: “Rapaz, calor para caramba, muito calor. Agora, teve uma coisa boa, um jogador do Picos que joga demais: Leonardo. Arrebentou, acabou com a zaga do Santa Cruz – detalha Silverinho, hoje com 76 anos.
“Silvério me falou isso, eu memorizei e, em seguida, fui procurar contatos”, recorda Ferro.
Quando o dirigente do Sport soube de Leonardo, Raimundo Moura já havia largado na frente.
Raimundo Moura era o presidente do Santa Cruz em 1992
– Raimundo conversou com o prefeito que mandava em tudo por lá e conversou para trazer Leonardo para o Santa Cruz. Só que foi conversa, foi de boca, verbal, não tinha documento, nada – lembra Silvério.
– Raimundo já tinha acertado por telefone que iria contratar. Não estava acertado quanto é que ia pagar, qual era o valor, nada. Marcou com o presidente do Picos e que ia para lá contratar Leonardo. Mas ele levou quatro dias para chegar, parando ao longo, em vários hotéis, várias cidades. O Sport foi mais rápido. Isso faz parte do futebol – complementa, por sua vez, Mirinda.
Mas não foi exatamente tão simples assim para o Sport.
O ultimato: é preciso ir a Picos
Era meados de maio de 1992 quando o vice-presidente de futebol do Sport, Zé Antônio Alves (falecido em 2017), deu um ultimato na Ilha do Retiro: era preciso agir. O nome de Leonardo já circulava pelo Recife. E o Santa Cruz, nesta altura, já havia largado na frente.
– Rapaz, não é possível que o Sport vá perder esse jogador para o Santa Cruz. Não tem um diretor do amador que vá buscar esse jogador em Picos? – disse o ex-dirigente Pedro Lacerda, em entrevista à TV Globo, em 2014, numa das homenagens do Sport a Leonardo em vida.
Não tardou para que Pedro e outro dirigente, Paulo Ferro, colocassem um par de roupas na mochila e, às 5h da manhã do dia seguinte à reunião, entrassem numa caminhonete para pegar a longa estrada até a casa onde Leonardo vivia com os pais como caçula entre os seis irmãos.
Pedro Lacerda, ex-dirigente do Sport
Reprodução/Arquivo TV Globo
– Eu estava varrendo a calçada, aí parou aquele carrão na porta de casa. Eu disse: “Oxe, quem é?”. Desceram dois homens. Disseram que eram do Recife e queriam falar com meu filho. E Leonardo veio para mim: “Mãe, eles vieram me buscar para eu ir jogar no Recife” – conta Maria da Paz Pereira, dona Bahia, 81 anos, mãe do ex-atacante.
Embora dona Bahia tenha resistido à ideia de ver o filho homem mais novo partir para tão longe, seu Chico acertou tudo com os dois homens que há pouco tinham chegado do Recife.
– Deixamos tudo acertado para que Leonardo viesse para o Sport, porém pediram que a gente aguardasse o jogo contra o Fluminense, pela Copa do Brasil – disse Ferro.
Leonardo quase foi parar no Santa Cruz, recorda dirigente do Sport Pedro Larceda
Na versão do dirigente rubro-negro, o interesse do Santa Cruz teria aparecido depois do acerto do Sport – versão que é contrariada por todos os demais envolvidos no contexto.
– Nesse intervalo (entre o jogo contra o Fluminense e a chegada de Leonardo à Ilha), surgiu o interesse de Santa Cruz. Mas o pai de Leonardo, seu Chico, tinha dado a palavra, assim como o atleta também, e eles se mantiveram firmes – explica Ferro.
O Picos enfrentou o Fluminense pela primeira fase da Copa do Brasil no dia 7 de julho, no estádio Albertão, em Teresina. Leonardo marcou os dois gols e chegou a virar o jogo a favor da SEP, mas o time de Picos foi derrotado por 4 a 2 (ver gols abaixo).
Uma semana depois, como mostra a história, Leonardo seguiu para a Ilha do Retiro.
Antes de chegar ao Sport, Leonardo marca duas vezes no jogo Picos 2 x 4 Fluminense – Copa do Brasil 1992
Ao que tudo indica, no entanto, o que possivelmente ocorreu foi o seguinte: José Raimundo negociara com então o prefeito de Picos, José Neri – que, por sua vez, garante nunca ter chegado a um acerto com ele; enquanto os rubro-negros trataram com Leonardo, o pai do atleta e dirigentes da SEP.
“Quando fomos, conversamos com o presidente do Picos (Assis Badoíno, já falecido), com o treinador Mormaço e com a família de Leonardo. Não falamos com o prefeito, porque não era presidente de direito”, detalha Paulo Ferro.
O primeiro contrato de Leonardo com o Sport, em 1992
Sport/Divulgação
Com o falecimento de Raimundo Moura, infelizmente, já não é possível saber a versão do dirigente do Santa Cruz. À época, todavia, o dirigente tricolor garantiu o acordo para ter Leonardo.
– Leonardo estava garantido e chegaria em breve ao Arruda – chegou a dizer o presidente coral, em entrevista ao Diario de Pernambuco.
Sport vence disputa com o Santa Cruz e contrata atacante Leonardo, em 1992
Na reportagem da TV Globo com a primeira entrevista registrada com Leonardo no Sport, em 15 de julho de 1992, o repórter Stênio José reforçou a informação do suposto acerto na pergunta ao jovem atacante recém-chegado.
– O Santa Cruz já tinha anunciado a sua contratação, mas você veio para o Sport. Por quê? – questiona Stênio (na entrevista disponível acima).
Foto, segundo familiares, tirada no dia em que Leonardo deixou Picos para viajar para o Recife e assinar com o Sport
Arquivo Pessoal/Reprodução
“Não que ele não seja grande, porque é grande, nem é porque não é um time da elite. Mas eu e meu pai preferimos o Sport”, disse Leonardo na ocasião, com um jeito humilde que cultivaria para todo sempre.
Corroborando a informação de que o Santa Cruz ofereceu atletas ao Picos, Romildo Moreira (também já falecido), dirigente rubro-negro à época, falou, em entrevista à TV Globo, da disputa com o rival.
– O Santa Cruz tentou fazer uma transação, parece que envolvendo alguns jogadores. Mas a verdade é que a transação não foi feita. Procuramos o clube (SEP), o jogador, verificamos que ele estava livre, não tinha nenhum contrato com o Picos e assim sendo registramos o contrato dele na federação e Leonardo hoje é jogador do Sport – afirmou.
Diario de Pernambuco traz notícia do reforço do Sport: Leonardo
Arquivo Diario de Pernambuco/Reprodução
Como Leonardo chegou ainda menor de idade ao Sport, seu Chico, também assinou o contrato em 14 de julho de 1992. O presidente rubro-negro Wanderson Lacerda também deixou a sua rubrica.
Apesar dos envolvidos dizerem que Leonardo chegou de graça ao Sport, o contrato do atleta mostra que o clube pernambuco pagou uma quantia pelo atacante.
Pela transferência, conforme mostra contrato obtido pelo ge com o Sport, o clube pernambucano se comprometeu a pagar 17 milhões de cruzeiros à SEP, o equivalente hoje a R$ 63.284,53 – de acordo com atualização feita pela calculadora do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Leonardo, por sua vez, receberia inicialmente 1,5 milhão de cruzeiros, hoje R$ 5.583,93, “além do direito a casa e comida, residindo na concentração dos atletas amadores”, conforme dizia o contrato.
Assim, Leonardo chegou para ao Sport como mais uma aposta, para morar na Ilha do Retiro. De início, foi treinar entre os treinadores da base. Não tardaria a se tornar um ídolo eterno do clube.
Histórico vitorioso
Leonardo estreou pelo Leão somente no dia 25 de outubro de 1992, quando entrou no lugar do atacante Rinaldo, no decorrer da partida contra o Vitória, pelo Campeonato Pernambucano. O Sport venceu por 1 a 0.
O primeiro gol de Leonardo pelo Sport viria no dia 13 de abril de 1994, no jogo Sport 4 a 0 Ypiranga, pelo segundo turno do Pernambucano, diante de 978 pessoas presentes na Ilha do Retiro.
Em 1994, melhores momentos de Sport 5 x 2 São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro
No dia 1º de novembro daquele mesmo ano, mais uma participação de gala de Leonardo pelo Sport. Dividindo o campo com Juninho Pernambucano e Chiquinho, o atacante engoliu o São Paulo de Telê Santana, à época bicampeão mundial, e venceu o Tricolor paulista por 5 a 2, na Ilha do Retiro, pelo Campeonato Brasileiro de 1994. Leonardo marcou um dos gols (ver vídeo acima).
No ano seguinte, Leonardo foi campeão do Torneio de Toulon na França, ao lado de uma geração de ouro do Sport: o zagueiro Adriano, e os meias Chiquinho e Juninho Pernambucano.
Seleção brasileira campeão do Torneio de Toulon, em 1995 – Leonardo é o último agachado à direita
Arquivo Pessoal/Adriano Teixeira
Ao lado do mesmo Juninho, Leonardo foi negociado para o Vasco por 3 milhões de dólares, segundo noticiou na altura o jornal Folha de São Paulo. No clube carioca, foi convocado pela primeira e única vez em setembro de 1995, pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, para a Seleção principal para um jogo contra a Romênia. Não chegou a entrar em campo.
Em 26 jogos pelo Vasco, foram 9 gols marcados. O presidente do clube, Eurico Miranda, porém, não cumpriu o acordo do pagamento com o Sport.
Em 1996, Leonardo foi transferido para o Corinthians. Foi artilheiro da equipe na Libertadores daquele ano, com cinco gols marcados. Ao todo, foram 26 jogos e oito gols, mas mesmo assim Leonardo não ficou no clube e se transferiu para o Palmeiras. No ano seguinte, estava de volta ao Sport para brilhar.
Confira gols de Leonardo pelo Corinthians, na Libertadores 1995
Na volta, em 1997, retomou a história de amor com o Sport. Naquele ano, abriu caminhos para os três títulos seguidos do clube e terminou o Estadual daquela temporada também como artilheiro, com 14 gols.
No título do Pernambucano de 1999, a artilharia veio com 24 gols. Mas a grande lembrança do torcedor rubro-negro vem de um drible inesquecível para cima do argentino Mancuso, então estreante. O volante levou uma caneta diante de 80 mil pessoas no Arruda.
Jogos para sempre: Mancuso e Leonardo duelam em 1999 em partida com mais de 80 mil pessoas
Em 2000, Leonardo fez mais uma partida histórica pelo Leão. O Sport goleou o Atlético-MG, em Belo Horizonte, por 6 a 0. O atacante marcou cinco gols na partida válida pela última rodada da primeira fase da Copa João Havelange.
Um show do atacante, que ali marcara de forma inédita a própria carreira: nunca havia marcado cinco vezes em um único confronto.
“Conseguimos apresentar um futebol alegre, de toque de bola e de belos gols”, disse Leonardo, resumindo a partida à TV Globo.
Acostumado a “dançar” em campo pelos dribles certeiros nos adversários, a década de 2000 terminou em festa para o Sport – com Leonardo atuando em alto nível. O técnico rubro-negro Emerson Leão, inclusive, nomeou o estilo de jogo da equipe como de “futebol bailarino”.
O sucesso foi tanto que o treinador chegou a dirigir a Seleção Brasileira depois da demissão de Luxemburgo. O espetáculo de Leão – e Leonardo – naquele Sport virou tema do documentário O Balé de 2000, na série Imortais (confira abaixo).
Documentário O Balé de 2000, sobre temporada memorável do Sport
Leonardo no Santa Cruz
A ida de Leonardo para o Santa Cruz seria somente concretizada de fato em 2005, já numa fase de declínio na carreira do antigo atacante. Na ocasião, ele fez 26 jogos pela Série B com a camisa tricolor, marcou quatro gols na competição e ajudou a equipe na campanha do acesso à Primeira Divisão.
Sem apresentar o mesmo futebol, Leonardo rodou ainda por Paysandu, Guarany-CE, Picos-PI, Central, Cametá-PA, Sete de Setembro e Afogadense, onde encerrou a carreira em 2012.
Leonardo defendeu o Santa Cruz em 2005
Em 2014, Leonardo voltou para o Sport, onde trabalhou nas categorias de base do clube. Ele era o responsável por lapidar os garotos que tinham o sonho de se tornar atacantes.
Em março de 2016, após quase um mês de internação para tratar uma doença chamada neurocisticercose, que se dá pela ingestão de alimentos mal tratados, Leonardo morreu no Recife por falência múltipla dos órgãos.

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