Rafael Lopes comenta a vitória de George Russell no GP da Áustria de 2026
Neste fim de semana, o GP da Grã-Bretanha verá a melhor versão de Lewis Hamilton em tempos. Mais motivado que nunca e a bordo de uma Ferrari menos problemática do que no ano passado, o heptacampeão chega a Silverstone como o único piloto não-Mercedes a ganhar uma corrida em 2026 e flertando com a vice-liderança do Mundial – estando em sua melhor forma desde 2021.
Recordista na Grã-Bretanha, Hamilton pode repetir feito único na Ferrari em Silverstone
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Lewis Hamilton pilota no Circuito de Silverstone, palco do GP da Grã-Bretanha da F1 2026
Kym Illman/Getty Images
Hamilton ficou, por uma semana, em segundo lugar no campeonato de pilotos de 2026 – só 41 pontos atrás do líder Andrea Kimi Antonelli. Porém, o desempenho frustrante da Ferrari na Áustria há uma semana puxou o veterano para trás. Ainda assim, ele segue em terceiro no Mundial a apenas seis pontos atrás do vice-líder George Russell.
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A última vez em que o veterano desembarcou em Silverstone tão bem colocado – e com confiança semelhante – foi em 2021, quando ocupava a vice-liderança, e travava uma intensa disputa pelo título com Max Verstappen, então líder por oito pontos.
Lewis Hamilton comemora quarta vitória no campeonato 2021 e 99ª da carreira, no GP da Inglaterra
Michael Regan/Getty Images
Punido com 10s pela polêmica batida que tirou o holandês da prova, Lewis se recuperou da sanção e foi do décimo ao primeiro lugar, conquistando sua oitava vitória em casa. Ele saiu de lá líder da tabela, embora não tenha conquistado o octacampeonato ao fim da temporada.
Visitas frustrantes a Silverstone, apesar de triunfo milagroso
Nos anos seguintes, porém, o piloto de 41 anos não chegou na Inglaterra com o mesmo entusiasmo que demonstra em 2026. Mesmo conquistando pódios em 2022 e 2023, chegou a passar os dois anos sem nenhuma vitória, algo que nunca tinha acontecido em sua carreira.
A edição 2024 do GP da Grã-Bretanha, porém, foi uma lufada de ar fresco, uma verdadeira virada: Hamilton venceu o duelo com o compatriota Lando Norris, que ainda foi prejudicado por um pit stop ruim da McLaren na hora em que parou de chover. A disputa também contou com George Russell, atual vice-líder da F1 2026, mas uma falha mecânica tirou o piloto da briga.
Lewis Hamilton vence o GP da Inglaterra de F1 2024
Mark Thompson/Getty Images
A vitória encerrou um jejum de quase três anos (ou 945 dias) sem triunfos. Ainda assim, a força demonstrada por Hamilton em seu terreno favorito havia sido apenas um lampejo em meio a temporadas mais discretas. Em 2022, antes de subir ao pódio em Silverstone na terceira colocação, ele chegou à etapa com apenas 77 pontos e na sexta colocação do Mundial.
No ano seguinte ele repetiu o desempenho na etapa, mas havia desembarcado no circuito em quarto lugar no Mundial, com 106 pontos. Em 2024, quando venceu, o cenário era ainda menos animador: Hamilton passou de 85 para 110 pontos com a conquista, porém, permaneceu em um discretíssimo oitavo lugar na tabela.
No ano passado, sua temporada de estreia pela Ferrari, Hamilton desembarcou na Inglaterra em sexto lugar no campeonato com 91 pontos. Em Silverstone, bateu na trave pela primeira vez em uma década: saiu com um amargo quarto lugar, que encerrou uma sequência de 11 pódios consecutivos na pista.
Lewis Hamilton patinou na chuva e não teve vida facilitada por estratégia, sendo apenas quarto colocado no GP da Inglaterra de F1 em 2025
Rudy Carezzevoli/Getty Images
A prova sintetizou as dificuldades enfrentadas pelo veterano em seu primeiro ano na escuderia, cujas frustrações acumuladas o levaram a promover mudanças visado evitar a repetição deste cenário em 2026. Deu certo.
O que favorece (ou não) a Ferrari em Silverstone?
O SF-26, carro da Ferrari em 2026, foi um acerto em termos de aerodinâmica. Mesmo que o motor italiano não seja a maior referência do grid, quando o veículo está na janela certa de configurações, ele se sobressai no equilíbrio, na aderência e encontra um ritmo muito positivo em curvas de mais velocidade.
Lewis Hamilton recebe a bandeirada de Novak Djokovic após vencer o GP de Barcelona-Catalunha de 2026
Mark Sutton/Formula 1 via Getty Images
Essa é a maior característica do Circuito de Silverstone, o que é um indicativo de que Hamilton chega ao GP da Grã-Bretanha com chances de repetir o milagre de 2024 – agora, com menos contornos dramáticos, já que o piloto já voltou a sentir o gostinho da vitória no GP de Barcelona-Catalunha há duas semanas.
O triunfo na etapa espanhola sucedeu dois pódios consecutivos do veterano na F1, segundo colocado no Canadá e em Mônaco. Ele também ficou no top 3 do GP da China e apesar do desempenho mais discreto no Japão e em Miami, assumiu a vice-liderança do Mundial após a prova em Monte Carlo.
No entanto, há alguns poréns: Silverstone pode impor à Ferrari o risco de alta degradação dos pneus, fator que minou a velocidade da equipe na Áustria, semana passada, graças às altas temperaturas da pista – na ocasião, a F1 ativou pela primeira vez em 2026 o protocolo de calor extremo.
Lewis Hamilton foi o piloto mais bem-colocado da Ferrari no GP da Áustria da F1 2026, chegando em quinto
Mark Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Ter exigido demais do carro para tentar alcançar a Mercedes só piorou a situação; além disso, o motor teve dificuldades em manter a potência de forma consistente. Caso esse seja o cenário na Grã-Bretanha, Hamilton pode ficar fora do páreo que conta com seus compatriotas Russell e Norris, além do líder da F1, Antonelli, e até Verstappen.
A pista em Silverstone costuma ser agressiva aos pneus: a combinação das curvas de alta velocidade, as altas cargas laterais e a superfície abrasiva do circuito também poderão dar trabalho não apenas para a Ferrari de Hamilton, que já se mostrou sensível no que diz respeito à janela de desempenho dos pneus, mas para outras equipes também.
Outro fator que preocupa não só a Ferrari mas o resto do grid é a gestão de energia. As características do Circuito de Silverstone podem tornar mais difícil a tarefa dos pilotos de recarregar suas baterias, o que normalmente ocorre de forma automática com a frenagem nas curvas mais lentas.
Sem esse sistema, os pilotos terão que pilotar utilizando técnicas mais intencionais de recarga, e o próprio Hamilton esteve entre os que destacaram essa preocupação na etapa. Entretanto, vale destacar que Lewis Hamilton ainda é Lewis Hamilton: o heptacampeão mesmo ose lembrou disso, após a conquista em Barcelona.
Hamilton conquistou sua primeira vitória com a Ferrari no Gp de Barcelona-Catalunha
Mark Sutton/Getty
Sua experiência de quase duas décadas competindo em Silverstone, os vários recordes registrados na pista e as sete estrelas que carrega consigo na pista – além do otimismo embalado pelos resultados positivos ao longo de 2026 -, podem ser o ingrediente extra capaz de desafiar a lógica puramente técnica.
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