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Bangladesh verde e amarelo: entenda a origem da admiração dos asiáticos pela Seleção

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Festa em Bangladesh para jogo do Brasil
Você provavelmente viu nesta Copa do Mundo um vídeo de estrangeiros torcendo para o Brasil. Dentre quem adotou a Seleção, o povo de Bangladesh, país ao Sul da Ásia, chama atenção.
São inúmeros os casos de pessoas nas ruas de Daca, a capital, vendo os jogos em telões e vibrando com o time de Carlo Ancelotti, o que se repetirá nesta segunda-feira, às 14h (de Brasília), no confronto contra o Japão. Mas o que explica? O ge explica a origem da admiração.
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O resumo é simples. Como a seleção nacional não figura em competições internacionais (ocupa apenas o 180º lugar no ranking da Fifa), a paixão pelo futebol foi direcionada às duas principais equipes da América do Sul. Ou seja, há duas posições aos bangalis quando o assunto é futebol: torcer para o Brasil ou para a Argentina. A Seleção tem maioria da preferência da população de mais de 173 milhões de pessoas.
— Isso vem desde os tempos do Pelé. Bangladesh nunca jogou Copa do Mundo e sempre teve uma emoção muito grande para Brasil e Argentina. O país é dividido em duas partes, como se fosse política mesmo. Um lado contra o outro. Quando nasci, tinha dois tios que gostavam da Argentina e outros três gostavam do Brasil. Essa é a nossa cultura. Em Copa, vestimos camisas amarelas, pintamos casas, ruas, motos com as cores do Brasil. Escola, oficina, loja não trabalham quando tem Copa, o governo te dá folga ou te coloca antes do jogo. Maior parte do Bangladesh é Brasil – explicou Malik Robin Mia, dono da página “CBF Bangladesh”, ao ge.
Bangali explica divisão do país entre Brasil e Argentina
A estimativa é que 100 milhões de bangalis torçam para o Brasil. A Seleção nunca pisou em Bangladesh ou enfrentou a seleção nacional, que só fez dois pontos nas Eliminatórias Asiáticas para a edição 2026 do Mundial.
— Minha casa está toda pintada de Brasil. Minha moto também. Todo o país faz isso. O país ama. É uma emoção que pega no corpo. Também tem confusão, briga, família com família, briga que até vira física quando tem Brasil x Argentina – completou.
Bangladesh atualmente é considerado um país em desenvolvimento, mas ainda enfrenta níveis graves de pobreza – O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é de 0,685, o que coloca o país na 130ª posição entre 193 nações avaliadas pela ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil, no mesmo índice, ocupa a posição de número 84. A nação asiática tem se destacado como exportadora de indústria têxtil nos últimos 20 anos.
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Malik nasceu em Daca, mas saiu de Bangladesh há mais de 15 anos e atualmente mora no Brasil. A torcida para a Seleção se transformou em uma missão de tentar passar a cultura do país para quem ficou na terra natal.
Influenciador explica incentivo de colocar telões em Bangladesh para ver jogos do Brasil
Para a Copa do Mundo, o influenciador organizou, contando com a ajuda de pessoas do esporte bangali e patrocinadores, a montagem de telões nos centros e faculdades de Bangladesh. A estimativa do governo é que existem, ao menos, oito pontos ao redor de Daca que reúnem de 5 a 10 mil pessoas por jogo.
— Era comum ver a Copa entre amigos, família, trabalho… Esse ano foi diferente. Há cinco anos nós ajudamos para levar a cultura do Brasil para lá. Fizemos uma parceria com o ministro do esporte e patrocinadores para colocar telões em Daca. O povo é muito pobre, não tem capacidade para ver o jogo em um restaurante. Quisemos que a Copa explodisse. Todas as faculdades têm fã-clubes de Brasil e de Argentina. Eles começaram a postar e os vídeos viralizaram – afirmou.
Pessoas em Bangladesh torcendo para o Brasil
Reprodução
É realmente como se uma parte de alguma cidade brasileira estivesse colocada na Ásia. Antes da Copa, crianças foram às ruas para pintar calçadas; em dias de jogos, pessoas são liberadas mais cedo do trabalho quando o Brasil joga e os lugares são infestados de fumaças nas cores verde e amarela.
— Fico emocionado. Quero levar essa cultura do Brasil para o meu país, quero que sintam esse carinho pelo futebol. Parece que é um sonho realizado. Fizemos um trabalho bem organizado para mostrar isso. Me sinto o homem mais feliz do mundo por poder fazer isso. Tenho vários amigos brasileiros, quando um deles me chama para falar de Bangladesh eu fico muito feliz. É um prazer e felicidade para o nosso povo – completou.
Pessoas em Bangladesh torcendo para o Brasil
Reprodução
A página de Malik conta com mais de 35 mil seguidores, mas vídeos na Copa frequentemente alcançam milhões de internautas. O bangali, que está nos Estados Unidos acompanhando a Seleção, não esconde quem é o mais querido no perfil: Neymar.
Veja festa de torcedores em Bangladesh com entrada de Neymar
— Bangladesh adora todos os jogadores, Vini, Rodrygo, Estêvão… Mas não tem comparação com Neymar. Ele paralisa o país. Se pegar o canal dele no YouTube, a maior parte de inscritos é de Daca. O menino emociona todas as gerações, é a maior referência do mundo para os mais jovens.
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